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Triste fado

por Marta Crawford, Publicado em 09 de Outubro de 2010   
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Esta semana, talvez por causa do tempo ou da crise, vieram até mim pessoas que manifestavam um profundo desamor pelas suas vidas e em particular pela vida a dois. Ao escutar o álbum "Mãe", de Rodrigo Leão, as palavras de agonia que escutara no consultório pareciam ecoar: [...] vida tão só, vida tão estranha, meu coração tão maltratado [...] vive na mentira e não dá conta do que sente, antes sozinha toda a vida do que ter um coração que mente" (in "Vida tão Estranha"). Muitos homens e mulheres recusam-se a viver uma vida cheia, contentando-se com aquilo que lhes vai caindo do céu. Vivem o dia-a-dia sem entusiasmo, agarrados à ideia de que a vida é mesmo assim, feita de deveres e obrigações, acreditando porém que, no final das suas vidas, serão recompensados pela felicidade que os filhos possam trazer: se não posso ser feliz, ao menos que o esforço garanta a felicidade dos meus filhos, dizem. Mas como podem os filhos saber o que é a felicidade se convivem sistematicamente com a infelicidade dos pais? Não é possível fingir que se é feliz e que se ama por muito tempo, nem se pode marcar no calendário o dia em que se decide que já se pode ser feliz. A vida vive-se no presente! Amar e ser amado faz parte das necessidades básicas de qualquer ser humano. Todos procuram alguém com quem possam partilhar corpo e alma. Mas para se viver uma vida cheia é preciso querer, fazer por isso, e não baixar os braços, nem optar por ficar no sofá à frente de um ecrã a assistir adormecido à vida dos outros.

Sexóloga

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