Parabéns ao escritor peruano que é um "verdadeiro cidadão do mundo".
Mario Vargas Llosa foi, esta manhã, anunciado como o novo Prémio Nobel da Literatura pela Academia sueca, numa reviravolta inesperada de acordo com as expectativas de atribuição do prémio.
“Foi divertido, porque, olha, estava a trabalhar, a ler desde muito cedo. Começo a ler muito cedo, às 5h, 5h30. E de repente uma chamada, atendeu a minha mulher. E disse-me: olha, estão a ligar mas não percebi muito bem do que se trata. Quando te ligam a estas horas fica-se sempre um pouco nervoso, porque pensas que é alguma má notícia. Quando voltei a atender era o secretário-geral da Academia sueca, e disse-me. E eu fiquei a pensar se não seria brincadeira de um amigo. Mas confirmou-se, estou muito contente, mas continuo atordoado com a notícia”, contou Llosa ao El Mundo, pouco depois de conhecer a notícia.
Vargas Llosa estava nomeado para o Nobel há vários anos, mas este ano competia com nomes igualmente grandiosos, entre eles os dos escritores americanos Philip Roth e Cormac McCarthy, do japonês Haruki Murakami e do queniano Ngugi wa Thiong'o, que nas últimas semanas tinha ganho vários piscares de olhos por membros da Academia.
“Estou muito surpreendido, não esperava. Há muitos anos que não era mencionado, mas a verdade é que foi uma surpresa. Surpresa, surpresa…é a verdade. Uma surpresa absoluta”, confessou o escritor ao diário espanhol, acrescentando: “Ainda não acredito”. Llosa soube da notícia em Nova Iorque, onde está durante um semestre por ser o professor convidado da Universidade de Princeton.
Vargas Llosa nasceu em Arequipa, no Perú, em 1936, e ao longo dos anos tornou-se num dos nomes maiores da literatura em espanhol, reconhecido em todo o mundo não só como romancista, mas como jornalista, ensaísta e até político.
Filho único de um casal da classe média (que se divorciou cinco meses depois de casar, para um ano depois dar uma nova hipótese à relação), Vargas Llosa cedo ganhou paixão pela escrita. A sua experiência como aluno interno do Colégio Militar Leôncio Prado deu-lhe as bases para o primeiro livro da sua obra - La ciudad y los perros - escrito aos 14 anos.
A sua obra centra-se na experiência social peruana, com foco nas hierarquis sociais e raciais que pululam a América Latina.
Dos nomes mais sonantes da obra do doutorado em Filosofia e Letras (pela Universidade de Madrid) constam "Quem matou Palomino Molero?" (1986), "A Guerra do Fim do Mundo" (1981), "Conversa na Catedral" (1969) e o seu último livro, "Travessuras da Menina Má", publicado em 2006.
António Lobo Antunes era o único português nomeado para o prémio, ainda que não fosse um dos favoritos. A Academia sueca diz ter escolhido o autor peruano de 74 anos, que também tem nacionalidade espanhola, "pela sua cartografia das estruturas de poder e pelas suas imagens contundentes da resistência, revolta e derrota do Homem".




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