Defensor Moura promete dissolver AR se partidos não acordarem solução para a crise

por i com Agência Lusa, Publicado em 30 de Setembro de 2010   
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O candidato presidencial Defensor Moura afirmou hoje que se for eleito dissolverá a Assembleia da República logo no início do seu mandato caso os partidos não consigam garantir um acordo de estabilidade que permita “recuperar a credibilidade nacional”.

“No início do meu mandato exigirei dos partidos acordos de estabilidade governativa para recuperarmos a credibilidade nacional e internacional. Se não conseguir essa estabilidade dissolvo a AR”, garantiu.

Em entrevista à Lusa, Defensor Moura considerou que a dissolução do Parlamento “seria um aviso para os partidos para que assumissem apostas responsáveis para uma nova governação”.

Face à crise do Orçamento do Estado para 2011, o candidato considerou que “a primeira pergunta que se deve fazer ao PR é a de como deixou chegar o país a este ponto. Porque esta instabilidade política já existe desde o início do ano e as dificuldades em torno do défice e da dívida há muito mais tempo”.

“Como é que o Presidente esperou tão tranquilamente, mandando apenas recados pela comunicação social, e deixou o país chegar ao ponto de a poucos dias da aprovação do Orçamento do Estado não haver uma plataforma de entendimento entre os partidos?”, questionou, lamentando que Cavaco Silva só tenha chamado os partidos quando já não tem o seu “principal instrumento de pressão, o de dissolver a AR”.

Para Defensor Moura, Cavaco Silva apenas reuniu com os partidos “porque está em campanha eleitoral e quer aparecer aos portugueses como um homem de consensos que vai promover o acordo entre partidos”.

Questionado sobre se, apesar de tantas críticas a Cavaco Silva, não está a contribuir para a sua reeleição enquanto um dos vários candidatos em que se dividiu a esquerda partidária, Defensor Moura rejeitou a hipótese.

“Acho que não. Contrariamente a uma direita monolítica, a esquerda é múltipla e multifacetada. Faz parte do nosso próprio perfil termos ideias, sermos inovadores e termos eleitorados diferentes”, sublinhou.

Daí que considere estar a “combater a abstenção” porque quem vai votar em si “provavelmente abster-se-ia por não se rever em nenhum dos outros candidatos.

“Sou candidato em condições especiais, por não haver outro que represente o socialismo democrático do centro esquerda. Há uma candidatura da extrema esquerda que neste momento não representa os eleitores do socialismo democrático”, apontou.

Acreditando que assim será possível obrigar Cavaco Silva a disputar uma segunda volta, Defensor Moura deixou desde já o compromisso: “Por mim fica garantido: o candidato que tiver mais votos à esquerda terá o meu apoio”.

Para Defensor Moura, uma intervenção do FMI “vai depender da capacidade não só dos governos e das oposições mas dos próprios cidadãos, que estão muito endividados e têm de fazer um esforço de poupança”.

Quanto às medidas propostas pela OCDE, o candidato concorda na globalidade: “Quando não há pão temos de comer menos bolos e poupar na farinha.”.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo ortográfico ***

 



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