PSD abre janela para viabilização

por Liliana Valente e Sónia Cerdeira, Publicado em 30 de Setembro de 2010   
PSD "disponível para apreciar" medidas. PS apela ao diálogo para evitar a crise política
Opções
a- / a+
O PSD está a reavaliar a posição sobre o Orçamento do Estado para 2011. Depois de Passos Coelho ter recusado uma negociação prévia ao documento para o próximo ano, ontem em reacção oficial do partido às medidas anunciadas pelo governo, Nogueira Leite, conselheiro de Passos, garantiu que o PSD está "disponível para apreciar" as linhas mestras apresentadas. Mas fica um pedido: "Pedimos ao governo que reconsidere este novo e gravoso aumento de impostos." Isto porque "não é comportamento razoável vir a cada quatro meses trazer novas medidas da gravidade e da dimensão das hoje apresentadas", disse Nogueira Leite.

Os sociais-democratas garantem que o PSD "nunca rejeitou" discutir um orçamento "que desse primazia ao lado da despesa" e que por isso mantém "essa posição." O PSD considera que as medidas anunciadas pelo governo são "novas e muito duras de contenção da despesa". O PSD sempre impôs como condição para o diálogo que o executivo de José Sócrates fizesse um corte drástico na despesa.

Para que a conversação seja possível, Nogueira Leite lembrou que há medidas que "o governo não vai mas devia suspender" como o TGV e "outras obras que vão onerar as gerações futuras." Passos Coelho tinha pedido, já este mês, uma avaliação intercalar dos resultados das medidas adicionais ao Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC) acordadas em Maio entre PS e PSD. O governo não apresentou os números, o que levou Nogueira Leite a dizer que "não existiu transparência nem respeito pelos parceiros no Parlamento nem pelos contribuintes." Do lado da balança que o PSD considera positiva está o congelamento dos investimentos públicos.

Depois de elogiar a "coragem" do governo em avançar com estas medidas, o presidente do PS, Almeida Santos, deixou o apelo ao PSD: "Não se pede ao PSD que concorde com estas medidas. Pede-se que viabilize o orçamento por razões patrióticas."

Já Francisco Assis, líder parlamentar socialista salientou, à entrada da comissão política do PS, que se deve "evitar disputas retóricas entre PS e PSD" para acrescentar que "a não aprovação do orçamento daria uma crise económica grave."

Esquerda "Brutais", foi assim que os partidos à esquerda comentaram as medidas apresentadas por José Sócrates. "Trata-se de uma brutal ofensiva contra os rendimentos do trabalho tanto na parte da receita como particularmente na parte da despesa. E isto vai levar à redução do trabalho, a mais desemprego, a mais despedimentos", garantiu o secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa. Para os comunistas estas medidas não vão resolver os problemas do país mas antes trazer "consequências dramáticas para a economia". E se o governo apela à responsabilidade dos partidos para aprovar o Orçamento, Jerónimo responde que "irresponsável é o que está a ser feito".

A deputada do Bloco de Esquerda, Helena Pinto, por várias vezes repetiu a palavra "brutal": "brutal" o aumento de impostos, "brutal" o corte nos apoios sociais e nos salários. Medidas que, diz, não são "inevitáveis". Para a bloquista "o interesse nacional é resolver a vida das pessoas" e para isso a estratégia a seguir seria o "combate ao desemprego", mas sobre isso "não ouvimos o primeiro-ministro nem o ministro das Finanças".

Jerónimo de Sousa deixou no ar um aviso sobre possíveis manifestações dos trabalhadores: "Não há alternativa a não ser a resistência e a luta".

Já o CDS considerou "surpreendente que não tenha sido dito nada em relação ao endividamento" e que "todas as medidas sejam compagináveis com a manutenção do TGV, terceira travessia e com o aeroporto."

Com Adriano Nobre


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close