Investigação

Programa MIT Portugal. O poder de atracção da ciência e da tecnologia

por Marta F. Reis, Publicado em 30 de Setembro de 2010   
Parceria entre Portugal e o Instituto de Tecnologia de Massachusetts atraiu a atenção de Angola, Brasil, China e Singapura. Vem aí a segunda edição
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"A fama do MIT aumenta com o quadrado da distância. É grande na América, é maior na Europa e é gigantesca na Ásia." Paulo Ferrão, director nacional do Programa MIT Portugal, ouviu pela primeira vez esta frase dita por Susan Hockfield, presidente do Instituto de Tecnologia de Massachusetts. A um ano de completar a primeira edição do Programa MIT Portugal - um investimento de 65 milhões de euros para cinco anos - percebe-se a ideia: "Ainda esta semana recebemos uma comissão da Sérvia, temos tido contactos com Angola, Brasil, China e Singapura. Estamos a estudar uma forma de podermos trabalhar juntos", diz o director nacional do programa iniciado em 2006.

Os trabalhos para lançar a segunda edição deste programa começaram esta semana. E um dos objectivos é reforçar a ligação às empresas, dando-lhes mais tarefas de gestão nos projectos de investigação. 2011, o quinto ano do MIT Portugal, vai ser o primeiro em que participam doutorados e empresas start-ups, sobretudo na área de bio-engenharia.

Paulo Ferrão espera cerca de 80 finalistas de um total de 303 estudantes inscritos nos programas de doutoramento - os primeiros quatros anos da parceria abrangeram 337 alunos de faculdades portuguesas e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts em mestrados profissionais, pós-doutoramentos, bolsas e contratos de investigação.

Em Portugal, a parceria é vista como uma porta de entrada no mercado global. E o MIT encara-a como um "farol da Europa", diz ao i Ed Crawley, professor de Engenharia e antigo director de programa semelhante entre a instituição e a universidade de Cambridge. "Acho que o mais importante para as universidades é terem uma referência fora dos seus países. Reconheço hoje em Portugal um potencial enorme para um país com 10 milhões de pessoas, que começa a ter formação de nível mundial."

Dan Roos, director norte-americano do MIT Portugal: "Há diferenças culturais entre os países, e uma das razões pelas quais o MIT tem estas parcerias é para que os alunos possam perceber melhor a cultura estrangeira - porque vivemos numa sociedade global. Não se trata de saber quem é melhor, o objectivo é transferir as nossas melhores competências, de forma adaptada ao país."

A formação em áreas como liderança, inovação e empreendedorismo foi uma das apostas da ligação a Portugal. Ed Crawley é especialista no assunto: "Está provado que a liderança e o empreendedorismo vêm da experiência, não são características inatas. O que temos de fazer é mentalizar os alunos para esses valores, dar-lhes experiências concretas e mostrar--lhes que, para terem sucesso, para inovar, é preciso assumir riscos."

Entre os riscos assumidos pelo Programa MIT Portugal estão áreas de estudos como a energia e os sistemas urbanos. Mas Paulo Ferrão revela que a aposta está ganha: "Todas as áreas que escolhemos estão hoje a crescer no meio académico." E a adesão de 60 empresas, associações e instituições, como parceiras educativas, institucionais ou de investigação, foi uma surpresa que deu trabalho, diz o director nacional. Conseguiu fazer-se com que as universidades e as empresas passassem a confiar umas nas outras, porque temos um parceiro internacional muito credível, não só para a excelência do trabalho mas também para a capacidade de afirmação internacional. Depois há uma garantia de um apoio continuado, temos um programa com cinco anos, provavelmente com outros cinco", diz o responsável.

A 2.a edição do Programa MIT Portugal será apresentada em Fevereiro de 2011.


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