Alemanha quer tirar fundos estruturais a quem não cumprir metas

por Ana Rita Guerra, Publicado em 28 de Setembro de 2010   
Jean-Claude Trichet, do BCE, diz que economias europeias subestimaram problema dos défices públicos
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O presidente do Banco Central Europeu (BCE) quer que seja criado um painel de observadores para monitorizar as finanças públicas dos membros da União Europeia. Jean-Claude Trichet acusou as economias europeias de terem "subestimado sempre" a magnitude dos seus problemas orçamentais, em especial os países da zona Euro. O presidente do BCE, que discursou ontem no Parlamento Europeu, afirmou mesmo que os países não estão a fazer tudo o que está ao seu alcance para resolver os défices públicos. O recado foi ouvido por uma plateia de eurodeputados, no dia em que o juro pago pelas economias europeias voltou a subir.

"Para reforçar a monitorização fiscal independente e o aconselhamento consequente, o BCE apoia a criação de um conselho de sábios ao nível da UE, para fornecer uma segunda opinião", argumentou Trichet.

Numa nota pouco positiva, o presidente do BCE expressou ainda as suas dúvidas quanto ao ritmo da retoma na zona Euro. Embora tenha frisado que a inflação está controlada, avisou que esta deverá subir a curto prazo nos países que usam a moeda única. Além disso, avançou, existem demasiadas incertezas quanto às perspectivas de evolução económica da região, o que não permite muito optimismo quanto à aceleração da retoma.

Alemanha quer castigos Os recados de Trichet foram dados no dia em que a Alemanha reiterou a sua intenção de criar um sistema de retaliação para os países que não cumpram as metas previstas pela União. Wolfgang Schaeuble, ministro das Finanças, escreveu uma carta aos outros 26 ministros das finanças da Europa a avisar que a Alemanha não terá contemplações para quem prejudicar as restantes economias. Na carta, Schaeuble defendeu que os países que não cumpram as metas devem ver os fundos estruturais suspensos ou mesmo cancelados; e os países que derrapem duas vezes ou manipularem estatísticas devem perder direitos de voto durante um ano.

Schaeuble acredita que são necessários incentivos "mais fortes" para que os governos mantenham o cumprimento dos défices no centro da política e que estas sanções, de aplicação imediata, cumprem essa função. Os avisos do ministro chegam depois de Angela Merkel ter feito pressão para que seja aprovado um mecanismo de sanções. É que a Alemanha é o maior financiador do fundo europeu de 750 mil milhões, criado para países em situação de emergência, e não quer que esta "rede" sirva para que países persistam nos erros, casos de Grécia ou Portugal - o mais recente membro do "clube" da austeridade máxima.


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