Futebol Internacional

Portugal é a última defesa de Poom

por Rui Miguel Tovar, Publicado em 09 de Junho de 2009   
Guarda-redes estónio pendura as luvas amanhã. Sofre golos há 20 jogos seguidos mas já marcou um, de cabeça.
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Chapéus há muitos, lá diria o outro. Guarda-redes também, dizemos nós. Mas Mart Poom é um caso especial. E despede-se amanhã dos relvados, frente a Portugal, que lhe proporcionou um dos poucos momentos de glória ao serviço da selecção da Estónia.

"Perdemos 3-0 na Luz mas nunca mais me esquecerei desse jogo. O estádio estava cheio, quase 100 mil pessoas, li eu algures no dia seguinte, e todos a gritar Portugal. Estávamos a jogar contra tudo e contra todos", conta Poom que, nessa noite de 10 de Novembro de 1993, fazia a 18.ª internacionalização, com 32 golos sofridos.

"Quando o Futre fez o 1-0, num extraordinário remate fora da área, logo aos dois minutos, o estádio quase foi abaixo. A gritaria era imensa e o apoio cresceu, cresceu, cresceu. Portugal tinha de ganhar por quatro golos de diferença para depois ir a Milão jogar com a Itália pelo empate, na qualificação directa rumo ao Mundial-94. Mas, apesar dessa euforia, nós jogámos muito concentrados e só perdemos 3-0 [Oceano, 37' de penálti, e Rui Águas, 85'], razão por que fizemos uma bela festa quando o árbitro [Blareau, da Bélgica] apitou para o final do jogo."

Era o Portugal de Carlos Queiroz. Como amanhã é o Portugal de Queiroz. A vida dá muitas voltas, lá diria o outro, e é novamente a selecção portuguesa a aparecer na vida de Poom, que pendura amanhã as luvas, com pompa e circunstância em Tallin, na presença de Sepp Blatter e Michel Platini, presidentes de FIFA e UEFA, respectivamente.

Goleador Inactivo desde 20 de Setembro de 2008, quando se lesionou na clavícula durante o Watford-Reading, Poom, de 37 anos, é o Eusébio da Estónia. Foi eleito o melhor jogador de sempre daquele país e já ganhou o título de melhor jogador do ano em seis ocasiões, a última das quais em 2003, justamente no ano em que deu nas vistas com um golo de cabeça no Derby County-Sunderland (1-1), da 2.a divisão inglesa.

A 20 de Setembro de 2003, no Pride Park, o Derby, ex-clube de Poom, marcou por Taylor, aos 90 minutos. No instante seguinte, canto para o Sunderland e golaço de Poom, de cabeça. O guarda-redes nem festejou convenientemente e foi a correr para o seu meio-campo, com o resto da sua equipa atrás dele. "Foi hilariante. Agora que vejo essa imagem rio-me bastante. Posso dizer que foi o meu momento de glória", diz com orgulho.

Quem estava lá nesse dia era Cândido Costa, então jogador do Derby, agora no Belenenses. "Lembro-me perfeitamente. É daqueles momentos que marcam a carreira de qualquer um, seja ele jogador ou adepto, como eu, que estava lesionado."

Futuro Amanhã, é a 120.ª e última internacionalização de Poom, o único estónio a ter uma medalha da UEFA - não como vencedor mas sim como vencido (1-2 com Barcelona, na final da Liga dos Campeões, em 2006). Era o terceiro guarda-redes do Arsenal, depois de Lehmann e de Almunía. Pelos londrinos, só fez um jogo e meio e não sofreu qualquer golo (na selecção, ao invés, sofre há 20 jogos seguidos), mas granjeou fama de simpático e competente. Tanto assim é que o técnico francês Arsène Wenger o convidou para ser o treinador de guarda-redes do Arsenal, a partir de Julho. Poom aceitou sem pestanejar. Convites destes há poucos.

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Veja o golo de Poom:



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