Educação
Escolas entram na 3ª semana de aulas e ainda há alunos sem professores
por Kátia Catulo , Publicado em 24 de Setembro de 2010
Há 1100 professores que ainda não foram colocados nas escolas. O processo poderá demorar duas semanas para ficar resolvido
Duas semanas após o início do ano lectivo há alunos que continuam sem aulas porque faltam professores. Segundo a Direcção-Geral dos Recursos Humanos da Educação são cerca de 1100 docentes que ainda não foram colocados nas escolas, o que representa cerca de 1% do total. A dificuldade de encontrar docentes disponíveis para preencher os últimos horários é a justificação do Ministério da Educação, que, contudo, não tranquiliza pais, professores, sindicatos ou directores de agrupamentos escolares.
Albino Almeida, da Confederação Nacional das Associações de Pais, prefere apontar as culpas ao Ministério das Finanças por usar critérios orçamentais para "travar a colocação dos professores", mas os sindicatos dos professores estão convencidos de que se trata apenas de "incapacidade da tutela" para planificar o arranque do ano lectivo.
Mário Nogueira, da Fenprof, assegura que são milhares os alunos que continuam sem ter todas as disciplinas: "Sabemos que há muitos professores ainda por colocar e portanto não se percebe a razão deste atraso." João Dias da Silva, da Federação Nacional de Educação, diz que a falta de professores é consequência de atrasos nos concursos: "Ainda agora estamos a assistir a concursos que já deviam ter sido lançados em Julho ou em Agosto para que as escolas pudessem reabrir com todos os professores e funcionários."
Seja qual o for o motivo de boa parte dos alunos não ter até agora todas as aulas, o certo é que este ano lectivo "começou mal", avisa o presidente da Associação Nacional dos Directores de Agrupamentos Escolares, Adalmiro da Fonseca: "As escolas têm de colocar os professores a tempo e horas, caso contrário o ano começa logo com deficiências."
O atraso na colocação de professores nas escolas públicas deixou a ministra Isabel Alçada debaixo de fogo vindo de todas as direcções, obrigando o coordenador dos deputados socialistas na comissão parlamentar de Educação a sair em sua defesa. "Há questões de colocação de professores que são completamente normais nos inícios de ano lectivo porque se trata em muitos casos de substituir docentes que foram colocados a tempo e horas, mas que por qualquer razão da sua vida ou outra não preenchem esses lugares e não iniciam as suas funções no momento em que está previsto", justificou Nico Bravo.
E foram esses imprevistos que, segundo o deputado do PS, obrigaram o Ministério da Educação a lançar novos concursos para preencher os lugares para substituir professores que já estavam colocados. Tudo isso, no entanto, poderá estar resolvido no prazo de 15 dias, assegura Nico Bravo.
Ou até em menos tempo, estima o director geral de Recursos Humanos da Educação, que para acelerar o processo prometeu delegar nos agrupamentos escolares a responsabilidade de contratar os professores em falta: "Serão as escolas que a partir de segunda-feira vão procurar os professores que melhor se ajustem a determinado perfil e a determinada necessidade", explicou Mário Pereira, ressalvando que este processo só pode ocorrer depois de um horário ser recusado "duas vezes" através da bolsa de recrutamento. Segundo o responsável, entre os 1100 lugares ainda por ocupar há de tudo um pouco: horários completos - sobretudo nos grupos de recrutamento de Espanhol e Informática - e horários incompletos, como casos de substituições por doença ou desistência.
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