FMI diz que não vem e confia no governo - mas disse o mesmo à Grécia
Publicado em 21 de Setembro de 2010
Governo admite contactos mais frequentes com o Fundo desde o início deste ano
O Fundo Monetário Internacional (FMI) indicou ontem que não prevê qualquer necessidade de emprestar dinheiro a Portugal, tendo indicado que está confiante na capacidade de o governo fazer o que for preciso para reduzir o défice orçamental.
"As relações [de Portugal] com o FMI são normais e não prevemos realizar uma operação de financiamento ao país", indicou ao i fonte oficial do Fundo. "Saudamos o esforço das autoridades nos últimos meses para fortalecer a situação orçamental e acreditamos que farão tudo o que for necessário para colocar o défice abaixo de 3% em 2013, como definido no Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC)".
Segundo o i apurou junto de fonte oficial do governo, o Executivo português tem intensificado os contactos com o Fundo desde o início do ano, para troca de informações financeiras - uma iniciativa que terá partido do Ministério das Finanças. O FMI não confirmou.
Numa altura em que a pressão sobre a dívida pública portuguesa atinge máximos históricos, desde a adesão ao euro, e em que cada vez mais economistas e empresários alertam para a inevitabilidade de uma intervenção do FMI, a mensagem do Fundo destinou-se a acalmar a onda de receios.
Mas não é a primeira vez que o FMI - que não tem por hábito antecipar operações deste tipo - age desta forma. Em Fevereiro deste ano, quando a pressão dos mercados levava os juros da dívida grega a dez anos a subir para 3,5% (ainda longe dos 9,5% que forçaram as ajudas), o Fundo dava uma garantia semelhante. "A situação grega é muito séria. O governo de George Papandreou está consciente das dificuldades. Tenho confiança de que o primeiro-ministro Papandreou irá tomar as medidas necessárias, que são difíceis", apontava então Dominique Strauss-Kahn, director-geral do FMI, que na altura já tinha uma missão de apoio técnico em Atenas. Um mês depois, a Alemanha já admitia estar aberta à ajuda grega - três meses depois, União Europeia e FMI oficializavam as ajudas à Grécia.
Também na tentativa de acalmar os mercados, o presidente do Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, criado em Maio para situações de emergência na zona euro, apontou ontem à agência Reuters que, no seu "cenário central" (mais provável), não precisará de "tornar-se operacional". Sobre as subidas dos juros da dívida soberana de Portugal e da Irlanda, Klaus Regling afirmou que estas são "flutuações normais do mercado".
Bruno Faria Lopes, Bárbara Barroso e Filipa Martins
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