O Plano Tecnológico chegou à Biblioteca do Vaticano

por Rosa Ramos, Publicado em 20 de Setembro de 2010   
A Biblioteca Apostólica, a mais antiga da Europa, reabre hoje, depois de três anos e dois meses fechada ao público
Opções
a- / a+
Bento XVI, que se interessa pelo espaço desde os tempos de seminário, fez questão de seguir de perto o projecto e já anunciou que será um dos primeiros a visitá--lo. A Biblioteca Apostólica do Vaticano reabre hoje, depois de ter estado fechada para obras durante três anos e dois meses - tempo de sobra para modernizar, informatizar e reforçar a segurança de uma das mais emblemáticas bibliotecas do mundo, que remonta ao século XIV e acolhe mais de um milhão de livros.

O plano tecnológico também já chegou ao Vaticano e, a partir de hoje, os leitores passam a ter um cartão electrónico de entrada, com o qual podem ligar-se a uma rede sem fios para aceder à internet. O acesso estará disponível não só nas salas de leitura da biblioteca, mas também em casa dos leitores, através de uma password que permite a consulta de uma base de dados de reproduções fotográficas das obras. Outra das novas funcionalidades permite consultar online os catálogos e todas as bases de dados da biblioteca.

Para evitar que as obras sejam roubadas ou se percam, mais de 70 mil livros foram equipados com um chip que ajuda a detectar a sua localização. Ao mesmo tempo, entrou em vigor um circuito de vigilância interna e o sistema de cancelas, montado nas entradas e saídas da biblioteca, foi substituído por outro mais sofisticado. Com o reforço da segurança, serão menos prováveis incidentes como o que aconteceu no final da década de 80, quando um professor universitário de Ohio - Anthony Menikas - rasgou várias páginas de um manuscrito do século XIV que pertenceu a Petrarca, tendo depois sido condenado a 14 meses de prisão.

Depois do encerramento da biblioteca em 2007 por "problemas estruturais numa das alas do edifício" - segundo justificou na altura o Vaticano -, o espaço tem também novos luxos, como elevadores remodelados e ar condicionado. "Por causa do barulho e do tipo de obras que iriam ser executadas, o fecho era inevitável", garante o cardeal Raffaele Farina, bibliotecário e arquivista da Santa Sé à Rádio Vaticano. O acesso à Biblioteca Apostólica é restrito a académicos com pós-graduação, mas mesmo assim não falta freguesia: todos os anos frequentam o Vaticano quase cinco mil investigadores e 20 mil visitantes, todos dispostos a obedecer às regras rígidas daquele espaço. Não há requisições de livros e para a maioria das salas, como a de leitura de manuscritos, não é permitido levar comida, bebida ou canetas.

As obras começaram em 2007 e foram graduais, para evitar que o espaço tivesse de encerrar ao público por mais tempo. Nos últimos anos, além das mudanças físicas, dezenas de funcionários trabalharam ainda na catalogação e rearrumação dos livros, quadros, moedas, medalhas e gravuras que constituem o espólio da biblioteca. Também não foram descurados pormenores técnicos como o controlo da humidade em todas as salas ou a modernização dos sistemas anti-incêndio.

Apesar de hoje começar uma nova era, as obras da Biblioteca do Vaticano só terminam, em definitivo, daqui a dois anos, quando abrir o Salão Sistino. Será a segunda sala de consultas de litografias e estampas. A seguir, o Vaticano quer digitalizar toda a biblioteca - uma tarefa que levará pelo menos dez anos.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close