Casa Pia: administração da RTP discorda de tratamento noticioso

por i com Agência Lusa, Publicado em 10 de Setembro de 2010   
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O Conselho de Administração da RTP já manifestou ao diretor de informação a sua discordância relativamente aos critérios de tratamento noticioso da sentença do processo Casa Pia, disse à Lusa o gabinete de imprensa da empresa.

Questionada pela Lusa na sequência do comunicado da Entidade Reguladora para a Comunicação Social a reprovar a mediatização de Carlos Cruz, a RTP respondeu que “sem por em causa a autonomia editorial que a Lei consagra, o Conselho de Administração da RTP informou, ontem de manhã [na quinta feira], o Diretor de Informação da sua discordância, relativamente aos critérios com que tem sido tratada a matéria noticiosa referente à sentença do processo Casa Pia”.

Essa discordância, adianta o gabinete de imprensa da RTP, “respeita aos critérios de isenção e equilíbrio que a Lei impõe ao Serviço Público de Televisão”.

A Entidade Reguladora para a Comunicação Social reprovou hoje a mediatização conferida a Carlos Cruz pela generalidade dos órgãos de comunicação social, em particular a RTP por esta lhe ter concedido "lugar de especial destaque, e mesmo protagonismo”.

Em comunicado, o Conselho Regulador da ERC afirma estar preocupado com a situação, reprovando a mediatização conferida assim como o protagonismo dado pela RTP em pelo menos três dos seus programas de informação.

“Sem colocar em causa os princípios consagrados na Constituição e na Lei sobre a liberdade de imprensa – antes os reafirmando –, o Conselho Regulador recorda as especiais responsabilidades do serviço público de televisão no cumprimento dos princípios éticos e deontológicos do jornalismo e no respeito pelas decisões dos tribunais num Estado de Direito”, lê-se no documento.

No entender da ERC, a invocação da liberdade de informar e de livre determinação de critérios editoriais não deve “servir, ainda que de forma involuntária, para transmitir convicções próprias ou para uma procura de audiências a qualquer custo, com prejuízo do equilíbrio, isenção e imparcialidade a que está, de modo reforçado, obrigado o serviço público de televisão”.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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