Uma paragem no campeonato pode salvar uma selecção e recuperar uma equipa? Pode. Ou então funciona tudo ao contrário. David Luiz dizia que o Benfica já emagreceu tudo o que tinha para emagrecer, mas a equipa segue por aí pesada, às vezes obesa, inchada com o último campeonato, presa nos ritmos, cega nas marcações. E assim ontem nasceu uma derrota em Guimarães, claro, porque este Benfica sofre golos com facilidade e não chega à baliza.
Nunca se começa a perder mas pode fazer-se por isso. O Benfica esforçou-se nos primeiros 15 minutos contra o Vitória de Guimarães, o que se jogou foi o que Manuel Machado pediu, um treinador que tinha passado a semana a prometer ataque e pressão, num discurso tão ambicioso quanto provocador que, está visto, não pode ter passado percebido a Jorge Jesus. Os dois treinadores cultivam um ódio de estimação, é sabido, quando se encontram vivem um dérbi pessoal guerreado à conta das suas equipas. O problema é que JJ ficou sozinho porque os seus homens se deixaram surpreender por um início ofegante dos minhotos, capazes de acampar em cima da área adversária, incansáveis, como se do outro lado não estivesse o campeão nacional.
O 1-0, por Cléber, com a bola a entrar a passo de caracol na baliza da Roberto, foi um golo estranho que define o início de temporada encarnado. Três derrotas em quatro jogos? Histórico! Já é mais do que na época passada! É como se os fabulosos futebolistas do ano passado subitamente se tornassem irreconhecíveis, sem brio, sem capacidade de reacção.
O Benfica, no entanto, tentou reagir. A desvantagem teve o efeito de libertar a equipa e mesmo sem o Fábio Coentrão de nível mundial que por aí tem andado (consequência de lesão?), Carlos Martins e Aimar empurraram as águias para cima de Nilson, a ameaçar um golo entretanto merecido mas que só apareceu porque o guarda-redes do Vitória de Guimarães se encarregou de largar uma bola e colocá-la nos pés Saviola – o vólei do argentino foi .
Até ao intervalo, o Benfica queixou-se de Olegário Benquerença. O apito do leiriense já tinha traído uma desmarcação legal de Saviola (culpa do auxiliar, claro), mas depois perdoou um pontapé do outro mundo em Aimar, bem dentro da área. Ricardo ia aliviar uma bola para fora do estádio mas encontrou a perna do argentino e por pouco não o atirou para as ruas de Guimarães. Penálti por marcar.
Aquele lance foi o primeiro sinal do combate que aí vinha, o jogo rasgou, ficou duro, os cartões rolaram e o cenário alastrou para a segunda parte, com o Benfica a deixar-se amarelar (critério discutível), assim como um planta que vai perdendo a força, a cor, até morrer. Os jogadores deixaram-se ir na conversa do árbitro, é verdade, mas também não o souberam contornar. Nem ao jogo. No final, Rui Miguel marcou o golo que derrotou as águias, leve, pelos ares, com David Luiz atrasado na marcação. Afinal é preciso emagrecer mais um bocado.




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