O “modelo cubano” que Fidel Castro admitiu já não funcionar assenta num controlo quase total da economia pelo Estado que se traduz atualmente numa grave crise económica.
Numa longa entrevista, o jornalista norte-americano Jeffrey Goldberg perguntou a Fidel Castro se ainda vale a pena exportar o modelo cubano, ao que o ex-Presidente, que por motivo de doença transferiu em 2006 o poder para o irmão, respondeu: “O modelo cubano já nem funciona para nós”.
Para a especialista em assuntos latino-americanos Julia Sweig, que assistiu à entrevista, Castro “não estava a rejeitar as ideias da revolução” mas a “reconhecer que, sob o ‘modelo cubano’, o Estado tem um papel demasiado grande na vida económica do país”.
Sweig considerou que um dos efeitos desta declaração pode ser criar espaço a Raul Castro para empreender as reformas necessárias perante os mais ortodoxos do Partido Comunista cubano, de que Fidel Castro continua a ser o líder.
Muito dependente das importações, Cuba foi consideravelmente atingida pela crise económica mundial, que provocou uma baixa das receitas do turismo e da exportação de matérias-primas.
A economia cubana sofre também os efeitos de 48 anos de um embargo imposto pelos Estados Unidos como pressão para reformas democráticas.
O Estado cubano controla quase 90 por cento da economia, embora desde os anos 1990 tenha aplicado reformas limitadas que abriram espaço, embora condicionado, ao investimento estrangeiro e à iniciativa privada.
A maioria dos meios de produção é detida e controlada pelo Estado que é também, segundo estatísticas oficiais cubanas, o empregador de 75 por cento da população.
O investimento estrangeiro é autorizado mas condicionado a várias regras, como a obrigatoriedade de contratar trabalhadores através de agências estatais, a quem são pagos os salários.
O salário médio é de 100 pesos cubanos, cerca de 15 euros. A saúde e a educação são gratuitas e os transportes e a habitação têm um preço muito baixo. A população tem acesso a pelo menos parte das necessidades de alimentação através de senhas de racionamento que compra e pode trocar por bens a preços fortemente subsidiados pelo Estado.
O nível de vida médio é atualmente inferior ao registado antes da crise dos anos 1990, provocada pela perda da ajuda soviética, quando o Produto Interno Bruto (PIB) chegou a registar uma quebra de 35 por cento.
No Índice de Desenvolvimento Humano 2009, da ONU, que além do PIB tem em conta aspetos como a esperança de vida e a educação, Cuba está no 51.º lugar de um total de 182 países (Portugal está no 34.º), bastante mais bem colocada que a maioria dos países latino-americanos.
Fidel Castro, 84 anos, voltou a aparecer em público em julho depois de quatro anos de convalescença. Numa entrevista ao diário mexicano La Jornada, disse que, depois da doença, “ressuscitou” num “mundo de loucos” e começou “a ver muito claramente os problemas da crescente tirania mundial”.




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