Fidel Castro não acredita que hoje valesse a pena exportar o modelo cubano. "Já nem funciona connosco", respondeu ao jornalista da revista "The Atlantic", que desde ontem vem publicando um relato bastante pessoal de uma entrevista de mais de dez horas, repartidas por cinco dias, que teve com o líder cubano em Havana.
Jeffrey Goldberg viajou a convite de Fidel Castro a Cuba, na companhia de uma especialista em América Latina Julia Sweig. Confrontada com esta resposta de Castro - num almoço em que o antigo presidente comeu peixe, salada e pão molhado em azeite - Sweig explicou que o comunista revolucionário não estava a rejeitar as ideias da Revolução. "Vejo a resposta como o reconhecimento de que, sob o modelo cubano, o Estado tem um papel muito maior na vida económica do país."
A especialista adiantou ainda que este sentimento aparente de Fidel Casto poderá significar que o irmão Raul tem espaço de manobra para levar para frente as reformas necessárias no país, entre elas a crescente privatização da economia.
Na crónica publicada hoje, a segunda de uma série que poderá ser lida aqui, o jornalista fala do insólito episódio em que o Fidel o levou a ele, e à líder da comunidade judaica em Cuba, a ver golfinhos. Um dos diálogos com o director do aquário voltou a repetir o teor das declarações divulgadas ontem, em que condenava Ahmadinejad e o nuclear.




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