Acidente

Ceuta. Nove portugueses morrem em despiste de autocarro - vídeo

por Marta F. Reis, Publicado em 09 de Setembro de 2010   
Paquete do Fado estava ontem de luto. Décima vítima mortal foi o condutor do autocarro
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Ontem à noite estava prevista a última actuação a bordo do Cruzeiro do Fado. Ia subir ao palco o fadista Ricardo Ribeiro, depois de quatro dias de viagem pelo Mediterrâneo, com paragem em Gibraltar, Málaga e Ceuta. A morte de nove passageiros num acidente de autocarro a caminho de Tétouan ao início da manhã, numa excursão opcional, tornou o ambiente pesado, contou ao i a fadista Maria Armanda, um dos quase 40 nomes ligados ao fado a bordo do paquete Funchal. A actuação foi cancelada e ficou-se à espera que os feridos mais ligeiros regressassem a bordo e que fosse decidida a hora de partida. A viagem de regresso estava marcada para as 12h30 de ontem. À hora de fecho desta edição acreditava-se que o paquete pudesse zarpar ao início da noite. A chegada a Lisboa estava prevista para as 17 horas de hoje.

A viagem de 40 quilómetros entre Ceuta e Tétouan estava a ser feita por uma coluna de cinco autocarros da empresa Abyla Tur, sedeada em Ceuta. Dos 500 passageiros de um cruzeiro lotado, 250 escolheram passar a última manhã da viagem em território marroquino. Foi o primeiro autocarro de uma coluna de cinco que sofreu o acidente. Levava 44 pessoas e capotou por voltas das 6h45 (7h45 em Portugal), depois de passar por um pequeno viaduto na localidade de Castillejos, sete quilómetros depois da entrada em Marrocos. Entre os turistas portugueses havia uma criança, que esteve durante algum tempo encarcerada na viatura e sofreu ferimentos ligeiros. Iam acompanhados por um funcionário da Classic International Cruises, a operadora responsável pelo cruzeiro, um guia marroquino e o condutor, de nacionalidade espanhola, que, segundo informações não oficiais, terá acabado por morrer na sequência dos ferimentos.

A chuva que caiu ao início da manhã era, até à hora de fecho desta edição, a única explicação apontada para o acidente, embora não tivesse sido confirmada pela polícia marroquina. O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, partiu para Marrocos. No local do acidente estiveram ao longo do dia os cônsules de Portugal no país e em Ceuta.

Juan Miguel, jornalista do diário "El Faro de Ceuta", explicou ao i que a estrada para Tétouan não é perigosa, tendo sido reparada há pouco tempo. O condutor do autocarro e proprietário da Abyla Tur, Fernando J. Pérez, era "experiente". A empresa tem 15 anos e faz trabalhos com excursões, mas também com escolas e crianças com necessidades especiais e tinha já contratos para o ano lectivo de 2010/2011.

Vítimas Das nove vítimas mortais portuguesas oito eram mulheres. Segundo um comunicado da Classic International Cruises, aguardava-se ainda a divulgação da identidade das vítimas para serem informadas as famílias. A informação contrariava o último ponto de situação da Secretaria de Estado das Comunidades, que garantia já ter as identidades e estar a contactar as famílias. Ontem durante a tarde as ligações por satélite ao paquete Funchal estiveram em baixo, o que dificultou as comunicações. Maria Armanda falava de um cenário desolador: "Vejo aqui muitas pessoas que nunca saíram de Portugal, que juntaram dinheiro para um aniversário de casamento, e aconteceu esta tragédia."

O secretário de Estado das Comunidades, António Braga, fazia ontem um balanço de sete feridos graves. Fonte do Consulado de Portugal em Ceuta adiantou que os feridos ligeiros foram levados para o Hospital Universitário de Ceuta, de onde foram tendo alta ao longo da tarde para embarcarem no paquete Funchal. Os mais graves foram transportados para hospitais marroquinos. Segundo o "El Faro de Ceuta", sete foram recebidos no hospital de Tetuán, quatro em Rincón e três na unidade de saúde de Castillejos.

Nuno Fonseca, da agência responsável pelo cruzeiro, garantiu que o paquete sairia de Ceuta quando todos os passageiros na iminência de ter alta estivessem a bordo, mantendo-se a expectativa de chegar a Lisboa a tempo de uma nova saída da embarcação, desta vez para o cruzeiro de três noites Tânger & Casablanca. O embarque neste cruzeiro estava previsto para as 15 horas, e segundo o responsável não foi cancelado.

Temia-se ainda que o facto de o Ramadão terminar esta quinta-feira, com três dias de feriados consecutivos, atrasasse a vinda dos corpos para Portugal. As autoridades marroquinas garantiram que as vítimas seriam levadas para Ceuta durante o dia de hoje.


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