Crime
PJ encontra faca com que o filho terá assassinado a mãe
por Rosa Ramos, Publicado em 09 de Setembro de 2010
Luís é estudante de Medicina e era para muitos um rapaz "exemplar". Terá sido ele a encenar o assalto e a matar Eugénia, médica de 57 anos
Luís Castanheira, o estudante de Medicina suspeito de ter assassinado a mãe adoptiva em Coimbra, preparava-se para cumprir a segunda época ao serviço da Prodeco, uma equipa de futebol de Cantanhede. Quando souberam do homicídio de Eugénia Madeira, os colegas do clube prepararam uma ida colectiva ao funeral da médica. Porém, o gesto de solidariedade foi cancelado, segundo o presidente do clube, Paulo Oliveira, ontem de manhã, "por razões óbvias", isto é, porque a Polícia Judiciária (PJ) anunciou a detenção do estudante de Medicina, que vai ser ouvido hoje pelo juiz ao início da tarde.
Na segunda-feira, Luís treinou em Cantanhede até às 23h30. Mas terá sido ainda nessa noite que o jovem de 24 anos assassinou a mãe. Depois de ter cometido o crime, em Coimbra, regressou à Figueira da Foz, onde estava de férias na casa da família. Esperou que a notícia se espalhasse e só depois regressou a Coimbra.
Fonte da PJ adiantou ontem ao i que a arma que o estudante de Medicina terá usado para cometer o crime - uma faca de cozinha - "foi encontrada na casa da Figueira da Foz". No último fim-de-semana Luís recebeu um grupo de amigos na casa de férias. Estava "normal" e não mostrava sinais de "qualquer alteração", garantem os colegas da faculdade. Terá observado apenas que a mãe, Eugénia Madeira, estava também prestes a entrar de férias.
Na segunda-feira, a médica do Centro de Saúde Norton Matos saiu mais tarde do trabalho. Eugénia, de 57 anos, esteve a dar consultas até às oito da noite. Antes de mandar uma colega mais cedo para casa, comentou que teria de passar em casa dos pais - que fica ao lado do trabalho -, porque estava a preparar a festa de aniversário do pai, que fez 81 anos na terça-feira.
Terá sido nessa noite que Luís regressou a Coimbra, ao rés-do-chão da Quinta da Lomba, onde vivia com a mãe. Depois de degolar a médica com uma faca de cozinha, terá remexido a casa, despido o cadáver da cintura para baixo e amarrado uma corda na varanda. "Tudo aponta para uma encenação", acredita a PJ, acrescentando que "desde a primeira hora todo o quadro se apresentou como uma encenação de assalto e hipotética violação". Foi a empregada doméstica, que visita o apartamento às terças e às quintas-feiras, que viria a encontrar o cadáver da médica, às 8h30 de terça-feira, e que chamou um vizinho e colega de Eugénia, que se encarregou de alertar as autoridades. Além da polícia e do INEM, estiveram no local colegas do centro de saúde, convictos de que se teria tratado de uma morte súbita.
A PJ está convencida de que a relação entre Eugénia e o filho "era bastante tensa". E os problemas ter-se-ão acentuado "nos últimos meses". Em Março, Eugénia divorciou-se do marido, delegado de propaganda médica, depois de um processo que os amigos descrevem como "longo". Mas Luís não deixava os problemas transparecerem fora de casa. "Nunca comentou nada sobre a mãe", garante um amigo da faculdade e colega no futebol. Popular na universidade, inteligente e sociável, Luís sempre soube que tinha sido adoptado. Segundo um amigo da família, a adopção terá acontecido em Viseu, numa altura em que Eugénia trabalhava no Hospital de S. Teotónio. "Falámos várias vezes sobre isso e lembro-me de me dizer que tinha a melhor família do mundo", garante. "Também dizia que não tinha curiosidade de saber quem eram os pais biológicos, porque tinha tido muita sorte", acrescenta outro amigo.
Luís é conhecido como "Castanheira", terminou o secundário com média de 19 e entrou para Medicina em Lisboa. Só no terceiro ano se mudou para Coimbra. Sempre jogou futebol e passou por vários clubes. Em 2009 foi contratado pela Prodeco, de Cantanhede - onde iria completar a segunda época.
Com Gonçalo Venâncio e Paulo Marques/Diário As Beiras
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: PJ encontra faca com que o filho terá assassinado a mãe
Actividade em ionline