Maré Negra. BP divide responsabilidades sobre derrame de petróleo
por Marta Cerqueira, Publicado em 09 de Setembro de 2010
A petrolífera divulgou um relatório interno em que identifica erros que podem ter provocado o acidente
Numa tentativa de explicar as causas do derrame de petróleo no Golfo do México, a BP divulgou ontem um relatório interno em que atribui a "múltiplas empresas e equipas de trabalho" a responsabilidade pela explosão da plataforma. No documento, a petrolífera considera "improvável" que problemas com o projecto do poço tenham contribuído para a explosão da Deepwater Horizon, a 20 de Abril.
"O relatório da investigação oferece novas informações sobre as causas deste terrível acidente", afirmou, numa declaração divulgada pela BP, o director geral cessante, Tony Hayward. "Durante a investigação identificámos uma série de falhas mecânicas, erros humanos e mesmo de coordenação da equipas", explicou, acrescentando que "estiveram envolvidas nisto várias partes, incluindo a BP, a Halliburton e a Transocean", empresas responsáveis pela construção e manutenção da plataforma.
O relatório foi elaborado por uma equipa de mais de 50 pessoas, liderada por Mark Bly, chefe de segurança da empresa. No entanto, não servirá como versão final sobre as causas do acidente, tendo em conta que o caso está a ser também investigado por entidades da administraçãonorte-americana, incluindo o Departamento de Justiça, a Guarda Costeira e a autoridade de Gestão de Energia, Regulação e Aplicação da Lei.
A Transocean, proprietária da plataforma Deepwater Horizon, reagiu de inmediato, através de um comuniado: "Este é um relatório que tenta esconder o factor crítico que contribuiu para o acidente: falhas na elaboração do projecto da plataforma. Quanto à sua concepção e construção, a BP decidiu economizar, o que levou a uma série de riscos", pode ler-se.
Donativo A BP anunciou ontem a doação de dez milhões de dólares (7,8 milhões de euros) aos Institutos Nacionais de Saúde para co-financiar um estudo sobre os possíveis efeitos do derrame no Golfo do México na saúde dos trabalhadores envolvidos à limpeza do desastre. O restante dinheiro será fornecido pelo NIH, um conjunto de agências do Departamento de Saúde norte-americano. A BP precisou que o seu donativo será feito no âmbito da Iniciativa para a Investigação do Golfo, um programa de investigação independente de dez anos e com um fundo de 394 milhões de euros. Segundo o NIH, a investigação irá focar-se no estudo das consequências do desastre ambiental na saúde dos trabalhadores, como "doenças respiratórias, neurológicas, cancerígenas e imunológicas". Os efeitos na saúde mental e no stresse relacionados com o derrame, que podem ter contribuido para perdas de trabalho e incertezas financeiras, serão igualmente avaliadas.
Google Depois de ver a imagem da empresa afectada com a polémica sobre o derrame, a BP decidiu investir 2,8 milhões de euros em publicidade no Google. O objectivo da petrolífera não é o de vender produtos, mas apenas limpar a sua imagem. Para isso, vai comprar palavras e expressões associadas aos desastres naturais, como "derrame", "maré negra" ou "fuga de petróleo", para que os seus comunicados de imprensa apareçam sempre que um utilizador fizer uma pesquisa sobre o assunto. O derrame de petróleo no Golfo do México causou um prejuízo de mais de 6,2 milhões de euros à petrolífera britânica.
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