Há mais um Fundo de verdade no plano de reestruturação: o de jogadores
por Bruno Roseiro, Publicado em 09 de Setembro de 2010
SAD vendeu os direitos televisivos e publicidade até 2018, dá hoje passo fundamental na reestruturação financeira, tem Sporting TV na calha e fecha fundo nas próximas semanas
José Eduardo Bettencourt teve uma das intervenções mais fortes contra o rival Benfica no último Verão. "Jogadores jovens que ninguém conhece avaliados em 5 milhões de euros? Onde é que isto já se viu? É uma vergonha", disparou o presidente do Sporting, imbuído de um espírito revivalista à antiga. Faltou acrescentar outra ideia: "Nunca digas nunca." Ou, numa versão mais tradicional: "Nunca digas desta água não beberei." Um ano depois o Sporting apresta-se para fechar, no máximo até ao final de Outubro, um fundo de jogadores muito semelhante ao do rival.
Nesta fase os leões somam tantas vitórias dentro como fora de campo. Depois de, em Junho, terem fechado o contrato de cedência dos direitos televisivos e publicidade com a Controlinveste - num negócio que ascenderá aos 108 milhões de euros, ou 13,5 milhões/época -, hoje deverá ser aprovado o plano de reestruturação financeira da SAD (nunca por unanimidade, mas provavelmente com uma larga maioria): vai haver uma redução de capital social de 42 para 21 milhões de euros, um posterior aumento de capital de 18 milhões e a emissão de valores mobiliários obrigatoriamente convertíveis (VMOC) no montante máximo de 55 milhões. Ou seja, apesar das variadas vozes discordantes [ver caixa ao lado], a SAD irá receber 73 milhões de euros, passando o passivo para 150 milhões (evita também a situação de falência técnica). Até ao final do ano nascerá ainda outro "projecto importante" para os responsáveis leoninos - a Sporting TV. As negociações com a Portugal Telecom já estão avançadas e a própria estrutura, através das entrevistas no site oficial ou as newsletters enviadas semanalmente aos sócios, tem começado a trabalhar esse campo.
futuro Em traços gerais, o novo fundo terá muitos pontos em comum com o do Benfica. O montante será mais baixo - 40 milhões das águias, 20 ou menos para os leões -, mas as premissas serão as mesmas: fechado, com duração de cinco anos, onde só entram jogadores até aos 25/ 26 anos e com três ou mais anos de contrato, etc. Nessa perspectiva, nomes como Rui Patrício, Carriço, Nuno Coelho, Torsiglieri, André Santos, Matías Fernández, Salomão, Saleiro ou Yannick têm possibilidade de integrar o lote de seleccionados do fundo, além dos emprestados Nuno Reis, Renato Neto ou Owusu (todos no Cercle Brugge, da Bélgica).
O dossiê já terá dado entrado na CMVM e, no contexto das novas academias no estrangeiro, sabe-se que há investidores interessados. Existirá depois a discussão de quem fará a avaliação (nomes que deverão ser indicados pela ESAF, empresa do BES). Para mais tarde ficará a integração de atletas dos juvenis (Sub-17), uma das fornadas mais promissoras dos últimos anos e que tem recebido muitas propostas... do estrangeiro.
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