Selecção Nacional

Carlos Queiroz. "Um bilhete de lotaria", por Júlio Verne

por Pedro Candeias, Publicado em 09 de Setembro de 2010   
Técnico usou o escritor francês para se defender no caso do "polvo". O i usa-o para enquadrar os custos da viagem do adepto Queiroz à Noruega
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Carlos Queiroz mandou Luís Horta fazer análises ao sítio que todos sabemos e justificou-se perante o Conselho de Disciplina da FPF com as suas "raízes africanas" - à atenção de todos os Palop. Para se demarcar do "polvo" (que para muitos é a máfia mas que para ele é uma nuvem, um terramoto ou até o fim do mundo na pista de aterragem de um aeroporto), Queiroz foi aos livros e de lá trouxe excertos de Pablo Neruda, de Herberto Hélder, do padre António Vieira ou de Júlio Verne em que um polvo é isso mesmo: um polvo. Pois. É a defesa possível num caso que se afigura indefensável e com um desfecho preanunciado: mais dia menos dia, Queiroz deixa a FPF pela portinhola dos fundos. Mas enquanto a decisão não sai, ele lá vai saindo e seguindo a tal equipa de todos nós. E fá-lo como adepto, porque se encontra suspenso, com um salário congelado e proibido de exercer funções nesta ou em qualquer outra selecção durante os próximos seis meses. Vai daí, o i fez um exercício sobre quanto gastou o professor na deslocação a Oslo para assistir à derrota (0-1) portuguesa.

VERNÁCULO E tomamos como nossa uma defesa de Queiroz: Júlio Verne, e o seu livro "Um Bilhete de Lotaria", cuja acção de desenrola na Noruega - não podíamos querer mais como ponto de partida. E começamos pelo bilhete de avião. A TAP tem voos directos Lisboa-Oslo e o preço dos ditos varia entre os 175,50 euros (classe Basic) e os 676,50 (executiva). Bom, queremos acreditar que um homem que ganhou 3,6 milhões de euros de salário e mais 800 mil euros dos 10% das receitas do último Mundial opta por viajar confortavelmente lá à frente, com os mimos da tripulação e perto do comandante. E do piloto automático.

ULLEVAAL Continuamos nos bilhetes. Agora para o jogo Noruega-Portugal, que se disputou no Estádio Ullevaal, onde joga o Valerenga. Salvo um convite da Federação da Noruega - que a portuguesa se abstém deste imbróglio -, Carlos Queiroz, que distribuiu simpatia e cumprimentos antes do encontro, terá desembolsado 141 euros pelo ingresso. Lá em cima, na bancada central, com o telefone na mão (lá iremos), Carlos Queiroz bebericou (também lá iremos) e fechou o rosto à medida que a exibição nacional ia passando de sofrível a sofrida.

ALLÔ? Se Queiroz se manteve fiel a si e aos seus, terá feito o mesmo que fez no jogo de Guimarães - uma mensagem escrita a cada um dos jogadores, a João Guilherme, a Hugo Oliveira e a Agostinho Oliveira antes e depois do jogo. Levando em conta o roaming da rede de telemóveis que usa, essas 45 SMS ter-lhe-ão custado 65 euros. E se Queiroz teve mão nas (estranhas) substituições, foram outros 40 cêntimos.

FORRAR O ESTÔMAGO Não faça confusões: Oslo é a cidade mais cara do mundo: aí cada refeição custa em média 43 euros. Queiroz terá forrado o estômago antes ou após o jogo e no almoço do dia de ontem, o que perfaz um total de 96 euros. Mais uma cervejinha (8 euros) e um ou outro café (5 euros cada), e a factura da alimentação passou os 100.

VER AS VISTAS Para digerir a incómoda derrota, Queiroz pode ter aproveitado para dar um passeio por Oslo após uma noite num dos hotéis próximos do estádio - o Scandic Edderkoppen (diária de 155,16 euros), com quatro estrelas e a menos de cinco minutos do centro. O i escolheu uma opção barata e pitoresca: um mini tour pela cidade num barco descoberto pelo rio Akerselva - custa pouco mais de 21 euros. Nos tempos mortos, uma lembrança para alguém especial, como uma base de copos com o motivo do país - este souvenir, um dos mais comuns, está à venda por 4 euros.


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