Judo

Mundial de Judo. O regresso à casa onde Shokichi Natsui foi imperador

por Rui Pedro Silva, Publicado em 09 de Setembro de 2010   
O Mundial começa hoje em Tóquio, o mesmo local onde decorreu a primeira prova em 1956. Portugal tem dez judocas a lutar por medalhas
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O mundo do judo em 1956 era diferente do de hoje. Os moldes da competição que se estreava em Tóquio ainda estavam por afinar e não havia várias categorias. E, mais que isso, a competição feminina era ainda uma miragem, que só viria a tornar-se realidade 24 anos mais tarde, em 1980.

Numa competição tão abrangente, a vitória sorriu ao japonês Shokichi Natsui. O judoka de Akita chegou a Tóquio com 30 anos mas isso não o impediu de entrar para a história como o primeiro campeão mundial de sempre da modalidade, dando início também à hegemonia japonesa. Na final, Natsui derrotou o compatriota Yoshihiko Yoshimatsu. O polícia de 36 anos era considerado o principal favorito, mas foi surpreendido pelo companheiro de profissão. Com dois japoneses nos dois primeiros lugares, as duas medalhas de bronze foram para países europeus: o francês Henri Courtine e o holandês Anton Geesink.

A superioridade nipónica era tão grande que Natsui teve uma campanha verdadeiramente relâmpago rumo à final. No total precisou de apenas 63 segundos em quatro combates para chegar à final. A meia-final, contra Henri Courtine, demorou apenas oito segundos, tal como o duelo da segunda ronda frente a um adversário dinamarquês. Ainda assim, o recorde foi alcançado na primeira ronda, com três segundos, contra um cambojano. Só mesmo o belga Woodrey, nos quartos-de-final, conseguiu resistir mais tempo, e mesmo assim o combate durou apenas 44 segundos até ser declarado o vencedor.

Cinco anos depois, em Paris, disputou--se o primeiro Mundial na Europa. Pela primeira e única vez na história das competições masculinas, a lista de medalhas não foi liderada pelo Japão. Numa altura que continuava a haver apenas uma categoria geral, o título mundial foi para o holandês Anton Geesink, o mesmo que tinha sido medalha de bronze em 1956.

Se a superioridade na competição masculina foi quase sempre japonesa, o mesmo não aconteceu nas provas femininas, quando foram organizadas individualmente, entre 1980 e 1986. Nas quatro edições foram sempre selecções europeias a liderar a tabela. Depois, com a organização conjunta, a superioridade japonesa regressou. A partir de hoje, a selecção da casa vai tentar dominar pela 13.a edição consecutiva.

Na comitiva portuguesa, a ambição máxima é alcançar pela primeira vez uma medalha de ouro. Com duas medalhas de prata e cinco de bronze em todas as competições, Portugal entra em acção com dois campeões europeus (Telma Monteiro em -57 kg e João Pina em -73 kg), mas sabe que será complicado chegar ao lugar mais alto do pódio.

O director técnico nacional, Luís Monteiro, admitiu alguma cautela e colocou a fasquia mais elevada na possibilidade de a comitiva alcançar duas meias-finais. "Não há repescagens e são permitidos dois judocas de cada país por categoria de peso. Isso aumenta muito a competitividade", explicou.


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