"O incitamento à greve na PSP é crime e quem fizer greve incorre num crime." Foi com palavras duras que fonte da Direcção Nacional da PSP reagiu ontem ao pré-aviso de greve do Sindicato Nacional da Polícia (Sinapol). Caso venha a verificar-se, esta será a primeira greve de sempre daquela polícia.
Momentos depois, um comunicado oficial esclarecia a posição do director nacional: um "processo de averiguações" foi imediatamente aberto "com vista à instauração do competente processo disciplinar". No mesmo documento, frisa-se que a "convocação e a promoção de uma greve consubstancia um ilícito disciplinar de extrema gravidade".
O ministério da Administração Interna ainda não comentou a situação.
Cimeira da Nato O Sindicato Nacional da Polícia divulgou ontem um pré-aviso de greve para os dias 19, 20 e 21 de Novembro. A data, decidida depois de uma assembleia-geral do sindicato, não é inocente e coincide com os dias em que se realiza a cimeira da NATO, em Lisboa
Sobre a legalidade da greve, os sindicalistas parecem não ter dúvidas, argumentando que há dois anos a PSP "foi integrada nas regras do funcionalismo público". A paralisação estava vedada a estes profissionais desde 1990 - quando foi aprovada a lei do associativismo - mas ao mudarem para as regras do funcionalismo público nada foi redigido na lei no sentido de manter a proibição da greve.
A motivar o protesto estão, segundo o comunicado do Sinapol, "as atrocidades do ponto de vista estatutário, o aumento das horas de serviço, os regimes de avaliação e a progressão na carreira". O Sinapol é o terceiro maior sindicato da PSP, representando 2600 associados de um total de 22 mil polícias.




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