Educação

Ensine esta lição aos seus filhos. Quem estuda recebe melhores salários

por Marta F. Reis, Publicado em 08 de Setembro de 2010   
Segundo o novo relatório da OCDE, Portugal é o país onde cada aluno custa mais tendo em conta riqueza nacional
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O Estado gasta com cada aluno do ensino secundário o equivalente a 20,4% do PIB nacional per capita, e no ensino primário cerca de 13,7. Segundo o novo relatório da OCDE sobre educação, divulgado ontem, e tendo em conta os valores de 2007, os alunos portugueses são os que têm o investimento mais elevado nos 33 países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico, relativamente ao rendimento médio nacional. Ainda assim, em 2007, Portugal gastou 5200 euros com cada aluno do sector público, uma verba abaixo dos 6400 anuais, de média, na OCDE. Para Pedro Telhado Pereira, professor na Universidade da Madeira e especialista em Economia da Educação, são dados positivos, mas no que diz respeito a resultados, Portugal ainda está aquém dos restantes países europeus, e é também por isso que o país está entre os que ainda mais compensa um currículo com a expressão ''frequência do ensino superior''.

O país gasta na educação 5,3% da riqueza nacional, 8,6 mil milhões de euros de um PIB de 162,9 mil milhões de euros em 2007. O bolo é maior do que a média da OCDE, nos 5,2%, mas só serve para recuperar o atraso nacional. "Temos um aspecto positivo que é a recuperação em áreas como a frequência do ensino secundário, onde ainda assim estamos longe do que deveríamos estar", diz o especialista, lembrando que Portugal é um dos cinco países da OCDE onde a população entre os 25 e os 64 anos que terminou o secundário é ainda menos de um terço. Entre as recomendações que saltam à vista do relatório, adianta Pedro Telhado Pereira, é a ainda pequena abrangência da formação profissional no país, onde acredita que deveria haver um investimento. Sublinha ainda que os dados da OCDE ainda não avaliam o impacto da crise económica, que rebentou em 2008, e poderá ter tido efeitos tanto no investimento como no retorno.

O relatório "Education at a glance" traça um retrato positivo da evolução do sector da educação em Portugal. Em matéria de verbas adjudicadas à educação, o país subiu seis lugares em relação ao relatório de 2008, que usava dados de 2005, e revelava que Portugal gastava na altura menos cerca de 1000 euros por cada aluno. Também porque os níveis só agora estão a chegar ao padrão europeu, o retorno por cada nível de educação concluído é um dos maiores do grupo, destaca a OCDE ao longo do relatório. Em média, os patrões dos 33 estados-membros pagam duas vezes mais por empregados com qualificação superior do que por quem se ficou pelo ensino secundário.

Estudar compensa O impacto nas remunerações é maior nos países onde a frequência do ensino universitário ainda é baixa, como é o caso de Portugal, República Checa, Hungria, Itália ou Polónia, chegando as remunerações a ser 2,5 vezes maiores, ou mesmo quatro vezes maiores no caso português. Combinando os resultados do sector público e do privado, um estudante homem que complete o ensino secundário pode esperar ter um retorno de cerca de 207 mil euros, enquanto se acabar um curso superior pode atingir um retorno de 437 mil euros durante a sua vida de trabalho. Para as mulheres, os valores continuam a ser mais baixos em toda a OCDE, e Portugal não é excepção. Podem esperar um retorno de 139 mil euros se se ficar pelo ensino secundário e até 350 mil euros se tiver um curso superior. Só ser- -se licenciado e entrar agora no mercado laboral pode render mais 34 mil euros em relação aos colegas na mesma função, com mais experiência, mas sem as mesmas qualificações, segundo valor calculado pela OCDE para Portugal, Itália e Coreia. Contudo, sublinha o relatório, e uma vez que tem aumentado a oferta de licenciados e outros quadros superiores, e nota-se uma diminuição dos preço pago pelos recém--licenciados, a oferta actual poderá já estar a garantir a procura nacional. Em países onde os estudos superiores cobrem já a maioria da população - como é o caso da Dinamarca, Finlândia ou Suécia - e que deverão representar o retorno real da educação, os estudos superiores rendem apenas salários 1,5 maiores do que os estudantes que fecharam os livros no ensino secundário. O desemprego acaba por ser uma nuvem sobre as boas perspectivas: "Na Grécia, Portugal e Turquia, mais de 10% das pessoas entre os 25 e os 29 anos, com estudos superiores, estão desempregados."

Para onde vai o dinheiro Segundo o relatório da OCDE, os salários do pessoal educativo consomem mais de 90% do orçamento em países como o México ou Portugal. O documento revela ainda que os custos elevados por aluno, comparativamente com o PIB, estão relacionados com turmas mais pequenas do que a média na OCDE - no terceiro ciclo do ensino básico o rácio é de 8,1 alunos por professor, quando a média é 13,7, e no ensino secundário são 7,3, sendo a média 13,5. Número positivos para o Ministério, por serem dos mais baixos da OCDE, mas pesados no fechar das contas.


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