Greves. Protestos contra reformas e despedimentos param Paris e Londres

por Marta Cerqueira, Publicado em 08 de Setembro de 2010   
Sarkozy quer a idade da reforma nos 62 anos e lançou o caos em França. Em Londres foram os trabalhadores do metro que fizeram greve
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Comboios parados, autocarros que não deixaram as estações e voos cancelados. Em pelo menos cem cidades francesas este foi o cenário ontem, dia escolhido para uma greve geral, marcada em protesto contra as medidas adoptadas pelo governo contra a reforma do sistema de pensões. Cerca de 2,5 milhões de pessoas estiveram envolvidas nas acções de protesto, em todo o país, superando os dois milhões que os sindicatos juntaram no último grande protesto social em França, dia 24 de Julho: "Diziam que não íamos conseguir mobilizar mais pessoas do que no dia 24 de Junho. Mas, segundo as informações que tenho, a meio do dia, e no número de pessoas que não trabalharam no sector privado, posso dizer que estamos largamente mais mobilizados do que em Junho", garantiu o líder sindical, do CGT, Bernard Thibault. Mas a elevada participação dos franceses nos protestos acabou por não impressionar o presidente francês Nicolas Sarkozy.

Para este elevado número de manifestantes contribuiu a medida governamental de aumentar a idade mínima da reforma, de 60 para 62 anos. Uma medida que, se for aprovada pelo parlamento, entrará em vigor em Julho de 2011 e é mal recebida por pelo menos 63% dos franceses, segundo números adiantados pela BBC.

Apesar dos protestos nas ruas, Sarkozy fez questão de anunciar que continuará "firme" e vai manter a decisão de aumentar a idade da reforma. Ainda assim, admite que pode negociar alguns pontos da legislação com os sindicatos. O ministro do Trabalho da França, Eric Woertg, já garantiu também que o governo continuará a defender a reforma independentemente da onda de protestos.

A rede de metropolitano de Paris funcionou a 80%, mas os comboios suburbanos circularam apenas a 50%. A greve geral em França afectou também as as ligações aéreas com Portugal: seis voos da TAP foram cancelados e registaram--se atrasos nas ligações com outros países. Também a Ryanair não fez, durante a tarde, voos para Lille, Paris e Bordéus, e cancelou uma ligação para Faro. Também as escolas foram afectadas pela greve, com o Ministério da Educação a reconhecer uma adesão de professores na ordem dos 25,8%. Já os sindicatos referem valores entre os 55% e os 60%.

Caos londrino Durante as 24 horas de ontem, também o metro de Londres esteve praticamente parado, com a greve de condutores, funcionários das estações e encarregados dos serviços de manutenção. Os trabalhadores protestam contra o projecto de eliminação de 800 postos de trabalho que, dizem, pode afectar a segurança dos passageiros. De acordo com o site da Transport for London (TfL), empresa que gere os transportes na capital britânica, apenas uma [Northern] das 11 linhas funcionou normalmente. Apesar de a paralisação ser apenas de um dia, a TfL prevê perturbações nos serviços de hoje. Os trabalhadores do metro londrino ameaçam com novas greves semelhantes, previstas para 3 de Outubro e 2 e 28 de Novembro.


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