O administrador da empresa aeronáutica Dyn´Aero Ibérica, Philippe Sense, justificou hoje a entrada em processo de insolvência da fábrica de Ponte de Sor com o facto de esta ser a “melhor opção” para saldar as dívidas aos credores.
“Nós considerámos que a melhor opção era iniciar um processo de insolvência e tentar discutir com os nossos credores as fórmulas para podermos saldar as nossas dívidas”, disse o responsável, em declarações à Agência Lusa.
“Nós precisamos de tempo para pagar o que devemos”, sublinhou.
“Agora teremos de reunir com o administrador judicial e depois vamos reunir com os credores, para dentro de umas três semanas começarmos a trabalhar com eles o pagamento da dívida”, acrescentou.
A Dyn´Aero Ibérica, instalada em Ponte de Sor desde 2001, está vocacionada para a conceção e produção de aviões ultraleves e aviões em kit (as peças da aeronave são montadas pelo comprador).
A empresa aeronáutica, filial da Dyn’Aero França, passou por um processo de lay-off parcial em julho de 2009, situação que se prolongou por um período de seis meses.
Philippe Sense, que se reuniu ao início da tarde de hoje com os cerca de 50 trabalhadores da unidade alentejana, com o objetivo de explicar o ponto da situação da empresa em Ponte de Sor, indicou que transmitiu aos operários uma mensagem “simples e muito clara”.
“A mensagem foi muito simples e muito clara. Temos algumas dívidas, sobretudo para com o Estado, e ao mesmo tempo estamos muito otimistas porque o negócio está a reiniciar e temos novos projetos nos próximos dois anos para relançar a companhia”, disse.
“Estamos no início do processo de insolvência e estamos sob proteção do tribunal. O administrador judicial já foi nomeado pelo tribunal e agora precisamos de começar a falar com ele para propor algumas soluções aos credores”, acrescentou.
“Não queremos fechar a fábrica, queremos mantê-la porque investimos muito dinheiro para treinar e formar os trabalhadores”, sustentou.
O administrador da Dyn´Aero fez questão de sublinhar que a fábrica de Portugal possui 50 trabalhadores "muito bem treinados e com conhecimentos e capacidades muito específicas" e, por isso a administração, "não quer fechar" as portas, mas sim, "continuar a trabalhar".
Philippe Sense explicou ainda que a unidade de Ponte de Sor é “fundamental” na estratégia da empresa, porque, se a fábrica alentejana encerrar, a unidade fabril da Dyn´Aero em França “não pode laborar”.
O principal cliente da Dyn´Aero Ibérica é a “empresa mãe”, a Dyn´Aero em França.
A empresa assinou recentemente um contrato com a European Aeronautic Defence and Space Company (EADSC) no sentido de produzir um pequeno avião no setor de negócio dos Unmanned aerial vehicle (UAV).
Este e outros negócios que a empresa tem em carteira poderão ser a “salvação” dos vários problemas com que a Dyn´Aero se debate referiu.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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