Os municípios do Vale do Sousa vão encerrar no próximo ano letivo mais de 60 escolas do primeiro ciclo, mas garantem que os alunos abrangidos serão encaminhados para 29 novos centros escolares, num investimento de 75 milhões de euros.
Os autarcas da região, ouvidos pela agência Lusa, falam de “uma renovação profunda e sem precedentes” no parque escolar da região, que foi pensada em conjunto, há vários anos, pelos vários municípios na perspetiva de combater a médio prazo o insucesso e abandono escolar precoce, um problema social que ainda preocupa o Vale do Sousa, uma das regiões mais jovens da Europa.
“Esta é uma aposta estratégica firme de toda a região, que acredita que o seu maior ativo são os recursos humanos, em especial os mais jovens”, disse à Lusa o vereador da Educação na Câmara de Paredes, Pedro Mendes (PSD).
Enquanto noutras regiões do país, municípios encerram escolas com menos de 20 alunos, cumprindo uma orientação do Ministério da Educação, no Vale do Sousa, no âmbito das cartas educativas de cada concelho, vão fechar dezenas de estabelecimentos, mas nenhum por falta de alunos.
Numa região com cerca de 350 mil habitantes, todas as escolas que vão fechar tinham mais de 20 alunos, garantem os autarcas ouvidos pela Lusa.
Nos cinco municípios integrados no distrito do Porto - Paços de Ferreira, Lousada, Felgueiras, Paredes e Penafiel - foi iniciado no ano letivo passado o processo de renovação do parque escolar, com entrada em funcionamento de vários novos equipamentos construídos pelas câmaras e comparticipados por fundos da União Europeia (UE).
No ano letivo 2010/11, vão entrar em funcionamento mais 29 novos centros escolares (Paços de Ferreira 7, Penafiel 7, Felgueiras 7, Paredes 4 e Lousada 4), projetados com todas as condições, incluindo cantinas, bibliotecas, salas de ciências e nalguns casos ginásios.
“São escolas com todas as condições para o desenvolvimento do ensino e aprendizagem”, observou o autarca de Paredes, concelho que até ao final do próximo ano apresentará o maior investimento da região – cerca de 50 milhões de euros.
Em apenas dois anos, em Paredes e no resto da região, quase a totalidade da população escolar do primeiro ciclo passa a estudar em escolas modernas, abandonando os antigos estabelecimentos, muitos dos quais degradados e com dezenas de anos.
“A região está a assistir a uma viragem extraordinária. Não temos dúvidas que este é o caminho certo para o Vale do Sousa ter um futuro mais competitivo”, disse à Lusa, Eduardo Vilar, da Câmara de Lousada.
O investimento nos centros escolares também terá implicações positivas na melhoria da oferta ao nível dos jardins-de-infância da rede pública, que passarão a funcionar de forma integrada com as escolas do primeiro ciclo. Segundo Alice Costa (PSD), vereadora da Câmara de Paços de Ferreira, o concelho ficará integralmente coberto, tendência que se estende aos restantes concelhos.
A autarca garante que os transportes estão assegurados para todas as crianças e lembra que nenhuma terá de estudar a mais de três quilómetros da sua área de residência.
Também o vereador da Educação em Felgueiras, João Sousa (PSD/CDS), acredita que o esforço que os municípios estão a fazer ao nível da educação terá “um efeito extremamente positivo, como fator que se propõe ajudar a diminuir a desqualificação da população”, numa região industrializada que tradicionalmente apostava numa mão-de-obra com baixos níveis de escolaridade.
No próximo ano letivo não vão funcionar em todo o país 701 escolas do 1.º ciclo do ensino básico ao abrigo do programa de reordenamento da rede escolar anunciado em junho pelo Ministério da Educação.
Durante o mandato da ex-ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues, já tinham sido encerradas cerca de 2500 escolas do 1.º ciclo do ensino básico de reduzida dimensão
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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