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António Leite. Até 2013 vão ser fechadas "centenas de escolas" no Norte
por Pedro Sales Dias, Publicado em 07 de Setembro de 2010
Foi visto como a "sucessão natural" a Margarida Moreira, com uma vantagem: não ter tantos anticorpos nas escolas
Está à frente da Direcção Regional de Educação do Norte (DREN) desde Novembro do ano passado e não hesita em dizer que recebeu uma "boa herança", apesar de ter substituído na cargo a controversa Margarida Moreira. Acredita que o fecho de escolas tem duas faces e que a aposta na rede do 1.o ciclo era fundamental por estar há muitos anos abandonada. Quanto ao novo ano lectivo, diz não esperar dificuldades acrescidas.
Chega a director regional após a saída de uma directora cujo mandato ficou marcado por polémicas. Teve receio de novas polémicas à frente da DREN?
Quando temos esse receio ficamos quietos. O que temos é de procurar que a nossa actuação não permita que casos que têm efeitos mais negativos do que positivos possam trazer problemas à educação. Não se ocupa um cargo destes sem pensar duas vezes, há sempre algum nível de hesitação. É um cargo de grande responsabilidade e muito trabalho. Já tinha essa noção antes. Quatro anos e meio foram claros para perceber que é um cargo de alguma dificuldade.
Como faz a análise dos nove meses à frente da DREN?
É sempre difícil falar de nós próprios. Procurou-se melhorar o que já estava a ser bem feito e solucionar situações menos conseguidas. Cada director regional que chega vem com ideias novas e sai sempre com ideias do que podia ter feito. Havia muita coisa que estava a ser bem feita. Acho que tenho uma boa herança. Tentámos também melhorar o que estava a ser menos bem feito.
A Fenprof e a Federação Nacional de Educação (FNE) consideram que deviam ser abertos mais lugares para professores no quadro para diminuir a instabilidade.
O que é para nós importante é que as escolas funcionem com a maior normalidade e os alunos tenham acesso à educação como um direito universal, que é o seu. A definição das políticas e o mecanismo de colocação de professores não depende das direcções regionais.
Em Julho foi decidido o encerramento de 384 escolas do 1.o ciclo no Norte. Como vê este encerramento com a região a ser a mais afectada?
O fecho das escolas é como uma moeda que tem duas faces. Cheguei há pouco de um centro escolar que vai ser inaugurado em Paredes e é um dos mais de 100 centros que estão a ser construídos no Norte. Evidentemente que quando se constroem 100 centros, com 15 ou 20 salas, não se podem manter todas as escolas que tínhamos. Havia a necessidade de se apostar profundamente na rede do 1.o ciclo, que durante muitos anos esteve abandonada. Era necessário criar novas escolas, onde as crianças tivessem acesso a espaços desportivos, bibliotecas, cantinas, espaços tecnológicos. Isso era impensável com as escolas que tínhamos. Para criar estas condições de qualidades aos alunos e professores foi necessários encerrar um número significativo de escolas. À excepção de quatro, encerram com o acordo das autarquias e, na grande maioria dos casos, com o apoio dos pais.
Há uma aritmética nos dados que pode ser criticável à primeira vista. Se por um lado há o encerramento de 384 escolas, por outro abrem 298 centros escolares até 2013.
Mas quando houver 298 centros haverá muito mais do que 384 escolas encerradas. Serão mais algumas centenas. O mais importante é perceber que encerram por um bom motivo. Para serem criadas melhores condições.
Os 102 centros escolares novos que abrem em Setembro são suficientes para compensar o fecho de 384 escolas?
A grande maioria das escolas que fecham é para drenar os alunos para os centros escolares. Mas há municípios onde ainda são necessários centros. O concelho de Vila Real precisa. Paredes está a construir 15. O Porto vai inaugurar um dentro de algumas semanas.
A Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP) acusa o governo de ter decidido o encerramento apesar da discordância de várias autarquias.
Os interlocutores da DREN são os 86 presidentes de câmara do Norte. Não estou a menosprezar a capacidade de intervenção da ANMP, mas não é um parceiro da DREN. Houve escolas que propusemos encerrar, as autarquias acharam que não e não as fechámos. Houve escolas que as próprias autarquias propuseram encerrar e assim foi.
Quais eram as preocupações dos municípios?
Por um lado, a questão difícil dos transportes. Em algumas situações as escolas não encerraram porque não conseguimos garantir que os transportes se façam em condições humanamente aceitáveis. Não posso aceitar que se feche uma escola a 30 quilómetros de distância e as crianças tenham de se levantar de madrugada e fazer imensos quilómetros até chegarem. A DREN tem 86 municípios com problemas muito diferentes. Compreendo que para uma população que sempre teve uma escola pequena, mesmo que com apenas duas crianças, que não tinha o mínimo para funcionar, do ponto de vista emocional seja difícil. Ainda havia escolas com duas ou três crianças e isso não significava um avanço para a população.
A ANMP considera que todo este processo vai perturbar o início do ano lectivo.
Creio que não. A abertura do ano lectivo é sempre um momento de alegria. Nós, os profissionais da educação, podemos todos os anos recomeçar. Há novos alunos, novas turmas, novas matérias. O início do ano lectivo é sempre um momento de alegria e de celebração do acesso ao conhecimento, à cultura e à cidadania. Naturalmente que o momento de pôr uma máquinas dessas a funcionar é sempre um momento crítico. De resto, não esperamos nenhuma dificuldade acrescida.
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Artigo: António Leite. Até 2013 vão ser fechadas "centenas de escolas" no Norte
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