Selecção Nacional

Amândio de Carvalho. O "vice" que deu um Saltillo até Oslo

Publicado em 07 de Setembro de 2010   
Adversário de Queiroz e defensor da demissão, socialista, dirigente por quem os jogadores não morrem de amores (desde o México 86)
Opções
a- / a+
Jogo um: de um lado a Noruega do outro Portugal. Jogo dois: na tribuna Amândio de Carvalho, algures no estádio Carlos Queiroz. Há muito mais que uma partida de futebol, hoje em Oslo, na campanha de apuramento para o Euro-2012; há também um braço-de-ferro entre o vice-presidente da FPF (que pretende demitir o seleccionador) e o seleccionador (que só abandona o cargo "morto").

Perante a doença de Gilberto Madaíl, Amândio de Carvalho (acusado por Carlos Queiroz de ser a cara do polvo que o persegue) é o líder da comitiva portuguesa. Quando os jogadores estão entregues a eles próprios, ou ao piloto automático Agostinho Oliveira, Carlos Queiroz tenta fintar a suspensão à distância (nem que seja passando indicações ao telefone para o preparador físico) e Amândio tem a responsabilidade de unir o grupo. Será? "Ele não tem influência nenhuma nos jogadores, ninguém o ouve. É normal porque ele também nunca deu nada ao futebol português. Não se lembra de Saltillo?", diz ao i fonte próxima dos futebolistas portugueses.

Lembremos então Saltilho, por enquanto o caso mais negro na história da selecção. Nesse Mundial do México, em 1986, o chefe da comitiva já era Amândio de Carvalho. Os jogadores queixaram-se de tudo e mais alguma coisa na organização: de viajarem com escalas em Frankfurt e Dallas quando outras equipas tinham voos directos; de treinarem contra funcionários do hotel, em jogos de preparação sem qualquer exigência; de o campo relvado ser inclinado e sem condições; de serem obrigados a fazer publicidade às marcas parceiras da selecção sem receberem nada em troca. Depois veio a ameaça de greve e a discussão dos prémios de jogo.

"O Sr. Amândio de Carvalho, que ainda está na federação, prometeu-nos em França um cartão vitalício que nos permitiria entrar em todos os estádios. Nem isso cumpriu", disse Jaime Pacheco ao i, com a memória ainda fresca.

Pacheco esteve naquele Europeu de 1984 em que Portugal chegou às meias--finais e recebeu todos os elogios, depois foi igualmente convocado para o México 86, onde a equipa nacional não passou a primeira fase e tudo foi abaixo. No final os jogadores e o seleccionador (José Torres) foram afastados. António Simões, que ainda no último Mundial esteve na equipa técnica de Carlos Queiroz, responsabilizou recentemente Amândio de Carvalho. "Praticamente aniquilou a carreira profissional de José Torres", disse no domingo, no dia do funeral do "bom gigante".

Amândio de Carvalho há muito que perdeu a confiança em Queiroz e ainda antes do Mundial disse-o na cara do seleccionador, por ocasião do playoff com a Bósnia. Depois do Mundial defendeu a demissão do treinador e apoiou os processos entretanto instaurados, quer pela suposta intromissão no trabalho da ADoP, quer pelo facto de ter sido apontado como a "cara do polvo". Curiosidade: é socialista, tem a mesma cor política do secretário de Estado que Queiroz acusa de ingerência política na FPF.


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close