Bloco acusa Cavaco de patrocinar políticas de bloco central

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 06 de Setembro de 2010   
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O BE denunciou hoje o “patrocínio indisfarçado” do Presidente da República (PR) relativamente a políticas do bloco central, dizendo que Aníbal Cavaco Silva está a “abrir caminho” para que essa seja a solução orçamental.

“O PR tem vindo a caracterizar o seu mandato por um patrocínio indisfarçado de soluções e políticas do bloco central, entre o PS e o PSD. Uma vez mais, indisfarçadamente, Cavaco Silva está a abrir caminho, quase a impor, que essa seja a solução política para a aprovação do próximo orçamento”, declarou o líder parlamentar do BE, José Manuel Pureza.

O dirigente bloquista referia-se às declarações proferidas por Cavaco Silva, no domingo, que se mostrou convicto de que será possível alcançar um acordo entre Governo e oposição para que o Orçamento de Estado (OE) para 2011 seja aprovado “no devido tempo”.

Para José Manuel Pureza, as palavras do chefe de Estado dirigiam-se ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, que nas últimas semanas tem ameaçado votar não viabilizar o documento orçamental, caso o executivo não se comprometa com algumas medidas, nomeadamente o não aumento dos impostos.

“Têm de ser avaliados os resultados que as políticas de bloco central já causaram ao país: desemprego, precariedade, serviços públicos em retração, estado social em retração… Creio que não é uma boa solução”, argumentou o líder parlamentar do BE, acusando ainda Cavaco Silva de “fechar o horizonte político do país em acordos de bloco central”.

Por isso, “será também avaliado politicamente, quando o país tiver a oportunidade de escolher o próximo PR”, acrescentou.

Em declarações aos jornalistas, quando visitava o concelho de Sernancelhe (Viseu), o Presidente da República sublinhou a necessidade de haver uma negociação entre os partidos e o Governo socialista para que se possa alcançar um compromisso durante a discussão orçamental.

“De acordo com a informação que tenho, não vejo razão para que não se alcance um compromisso. A aprovação de um orçamento envolve sempre uma negociação e eu já invoquei a minha própria experiência”, afirmou, lembrando que teve de “negociar um orçamento com vários partidos políticos”, na altura em que ”presidia a um Governo minoritário”.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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