DNA Cascais. A ponte entre uma boa ideia e uma nova empresa

por Nuno Aguiar, Publicado em 06 de Setembro de 2010   
A iniciativa já apoiou mais de 100 empresas e criou 300 empregos. Mas às vezes o melhor conselho que se pode dar é mesmo: "Não avance"
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Cláudia Ranito tinha terminado a licenciatura em Engenharia de Materiais há cinco anos e queria lançar uma empresa inovadora de implantes ósseos. Os conhecimentos técnicos estavam lá, mas Cláudia reconhece que "não tinha as mínimas noções empresariais". Dois anos depois de se ter candidatado e vencido o "Concurso de Ideias de Negócio de Cascais", a Medbone, empresa que fundou, começou a fabricar ossos sintéticos com base em biomateriais.

Na base deste sucesso está a DNA Cascais, iniciativa municipal criada em 2007 para ajudar as empresas de Cascais a dar os primeiros passos. "Sem esse apoio teria sido muito difícil concretizar o meu projecto", diz Cláudia Ranito. "A DNA tem feito um trabalho excelente na promoção do empreendedorismo."

O papel da DNA é fazer a ponte entre uma boa ideia e a sua execução. O desejo de fundar uma empresa não chega para criar um ambiente competitivo. É necessário adaptar a ideia a uma lógica empresarial e conseguir o indispensável financiamento.

"Algumas empresas ficam logo por aqui. No início damos aconselhamento a quem nos procura e o nosso conselho pode ser não prosseguir com a ideia", explica Carlos Carreiras, presidente da DNA Cascais. "O nosso objectivo é funcionar como plataforma facilitadora para aumentar a natalidade empresarial e diminuir a mortalidade."

De facto, Portugal é um dos países europeus em que nascem mais empresas, mas também é o número um na taxa de mortalidade, com 15% do tecido empresarial a desaparecer em cada ano - só entre Janeiro e Agosto últimos, as falências em Portugal dispararam 51%, com 3530 empresas declaradas insolventes.

Além de filtrar ideias que possam não ser exequíveis, o contributo da DNA passa pela elaboração do plano de negócios da futura empresa, pela capacidade de conseguir financiamento para o projecto e pela promoção da empresa. "Quem providencia o financiamento já reconhece a DNA como uma garantia de credibilidade", assegura o líder deste projecto.

o ninho A DNA não cobra às empresas a maior parte do apoio que dá. O seu financiamento vem essencialmente da Câmara de Cascais, mas também do BPI, que patrocina a iniciativa. "Queremos um reforço de competitividade no concelho", defende Carlos Carreiras. "Normalmente os portugueses arriscam pouco. Rematamos pouco à baliza e marcamos poucos golos. Queremos mudar isso."

O único serviço cobrado pela DNA é a Incubadora, um espaço que lhes é alugado para começarem a desenvolver os projectos. As empresas pagam entre 50 e 190 euros/mês conforme o modelo de incubação que escolham - do simples gabinete ao open space - e as horas que lá passam.

O tempo necessário para uma empresa iniciar a actividade depende da complexidade do projecto a lançar. Quando a dimensão é menor e o financiamento é feito através de microcrédito, pode bastar um mês depois da entrega do processo no banco. Caso envolva capitais de risco ou Business Angels - angariadores de fundos que queiram apostar em novos projectos -, o prazo é mais longo. Em relação àquilo por que é responsável, a DNA demora entre uma e duas semanas a analisar e aconselhar quem a consulta acerca da melhor estratégia a adoptar e das alterações que podem pode ser feitas ao plano de negócios.

exportação da ideia O sucesso da iniciativa não tem passado despercebido e o modelo da DNA já foi replicado em Coimbra, na Trofa e na Praia, em Cabo Verde. A DNA Cidade da Praia foi criada através da assinatura de um protocolo com a Câmara de Cascais com o objectivo de apoiar a criação de empresas e o espírito empreendedor na capital de Cabo Verde.


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