Quem é o presidente da câmara que mais dá aos seus filhos?

por Kátia Catulo , Publicado em 06 de Setembro de 2010   
Em Portugal há 308 sistemas de acção social escolar - um em cada município. Nem sempre os mais ricos são os mais generosos. Veja em pormenor no documento ao lado
Opções
a- / a+

A partir desta quarta-feira, as rotinas estão de regresso. Às oito da manhã, os motores começam a roncar e a frota de autocarros da Câmara de Albufeira parte para ir buscar os alunos à porta de casa. A essa mesma hora, as crianças de Vinhais estão nos refeitórios à espera do pequeno-almoço. Às 15h30, a campainha toca e é hora de as crianças mergulharem nas piscinas municipais de Vila Nova de Paiva. E, como é o primeiro dia de escola, os miúdos de Ribeira de Pena já sabem que vão receber uma mochila nova com tudo aquilo de que precisam para estudar.

Alimentação, transporte, desporto, livros, bolsas de mérito, colónias de férias ou aulas de teatro são algumas das ofertas das câmaras aos seus alunos. O pré-escolar e o 1.º ciclo são as prioridades, uma vez que estão sob responsabilidade das autarquias, mas em boa parte dos casos os apoios também se estendem aos outros ciclos e aos estudantes universitários.

Há famílias que têm mais sorte que outras. Os benefícios não são iguais em todo o lado. Lisboa é diferente de Faro, Faro é diferente de Cinfães e Cinfães, por sua vez, é diferente de Aguiar da Beira ou de Nordeste, nos Açores. Cada câmara decide os benefícios que quer e pode dar aos seus alunos. Descobrir qual o município que mais investe na educação é portanto um tiro no escuro.

A única garantia é de que ao Estado compete assegurar os apoios na alimentação, no material escolar, nos transportes e alojamento dos mais carenciados. Tudo o resto fica ao critério dos autarcas. E é por essa razão que, em vez de um único sistema de acção social escolar para todo o país, existem 308 modelos diferentes: um para cada município. A diversidade de ofertas não significa que quem vive nas cidades mais pobres tem menos sorte que os habitantes dos concelhos mais ricos.


POBRES E GENEROS

As Mais dinheiro nem sempre quer dizer mais apoios. O i questionou as 21 câmaras mais ricas e as 21 câmaras mais pobres segundo o ranking do Instituto Nacional de Estatísticas, que elaborou a listagem dos municípios com maior e menor poder de compra - oito autarquias de cada uma destas listas conseguiram responder a tempo e revelaram todos os apoios que prestam na área da educação.

Vinhais, por exemplo, é considerado o município mais pobre do país, mas está à frente da maioria das autarquias. A câmara fornece diariamente refeições gratuitas a todas as crianças do pré-escolar e do 1.º ciclo, assegura o transporte dos estudantes até ao ensino superior, atribui bolsas de mérito em todos os ciclos e proporciona colónias de férias a crianças e adolescentes até aos 16 anos. Ribeira de Pena, o segundo concelho mais pobre, também está entre os que mais investe na educação - alimentação, transportes, férias, bolsas de estudo, material e livros escolares são alguns dos benefícios para os estudantes.

A riqueza não é, em regra, proporcional ao investimento que as autarquias fazem na área da educação. Até porque, na maioria das vezes, o contrário faz mais sentido: "Quanto mais pobre for o concelho, mais responsabilidades terá a autarquia em matéria de acção escolar", defende o presidente da câmara de Cinfães, José Pinto, que lidera um concelho onde 80% dos alunos são apoiados pela autarquia.



Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close