O secretário geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje que o fim do processo Casa Pia “é bom para a justiça”, mas lamentou a existência de outros processos com “malha larga para os poderosos”.
No final da 34ª edição da Festa do Avante, o líder comunista considerou que o país observa uma “degradação da democracia política”, que atinge também a justiça, afirmando existir um “cerco à independência” do setor e “um controlo cada vez maior do poder judicial pelo poder político e económico”.
“Temos denunciado a justiça da ‘malha larga’ para os poderosos, a impunidade de que gozam, os processos Face Oculta, Portucale, Furacão e submarinos, onde reinam as prescrições, o arquivamento e as penas irrelevantes”, situação que “causa danos na justiça, na sua imagem e credibilidade”, afirmou Jerónimo de Sousa.
No entanto, no processo Casa Pia, “é justo reconhecer que foi feita justiça ao fim destes longos anos, o que é bom para a justiça e sobretudo para as vítimas, que viram condenados como criminosos os seus agressores”, disse o líder comunista, motivando os aplausos dos milhares de apoiantes que ouviram o seu discurso de quase uma hora.
Na sua intervenção, Jerónimo de Sousa criticou duramente o que disse ser a “política de desastre nacional do PS, PSD e CDS”, condenando medidas na educação, na saúde e a nível fiscal.
“Não são apenas os milhões de euros de lucro obtidos pela extorsão dos recursos nacionais – 32 mil milhões de euros desde que o PS é governo e relativos aos 17 principais grupos económicos. São os milhões que não pagam ao fisco. Caso da banca, que nos primeiros seis meses do ano, já lá vão 216 milhões”, sublinhou.
Já no final do discurso, Jerónimo de Sousa repetiu a forte oposição dos comunistas à lei do financiamento dos partidos, nomeadamente ao impor limites às iniciativas de angariação de fundos.
“Sob a capa da transparência, o que verdadeiramente desejam é impedir a realização da Festa do Avante e limitar a participação militante na angariação de fundos, transformando os partidos em repartições públicas vivendo às custas do Orçamento do Estado”, sublinhou.
Jerónimo de Sousa prometeu que os comunistas vão continuar a propor que “tais entorses da lei sejam corrigidas”.
“Não pensem que por esta via acabam com a Festa do Avante ou com a independência do PCP, que não está dependente nem do Estado nem dos grupos económicos”, disse.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




Rating: 0.0
Actividade em ionline