Invasão
Iraque. Primeiro pedido de ajuda chega cinco dias depois da retirada
por Marta F. Reis, Publicado em 06 de Setembro de 2010
Atentado em base militar faz 12 mortos e 36 feridos. Crescem dúvidas sobre a capacidade de resposta nacional
O primeiro pedido de ajuda directa depois do fim das operações de combate das forças norte-americanas no Iraque chegou ontem de manhã em Bagdade. Cinco bombistas atacaram um base utilizada pelo exército para o recrutamento e treino de militares, no bairro de Bab al-Mouazam. Em Agosto, um atentado no mesmo edifício fez 57 mortos. Ontem, o balanço oficial dava conta de 12 vítimas mortais e 36 feridos, depois de uma hora de combate ao inimigo.
Segundo o correspondente da BBC, o incidente levou à intervenção de um pelotão de soldados norte-americanos, do dispositivo de cerca de 50 mil que deverá permanecer no Iraque até ao Verão de 2011 para missões de treino e apoio militar. Só podem combater insurgentes sob pedido expresso das forças iraquianas.
A intervenção das forças norte-americanas não foi confirmada pelo porta-voz do exército iraquiano Qassim al-Moussavi. "Foi um ataque semelhante ao do banco central, mas as forças de segurança travaram o atentado e mataram todos os agressores", disse o responsável, numa alusão ao atentado de 13 de Junho onde sete bombistas suicidas mataram 26 civis no centro da capital. "Foi um ataque terrorista bem organizado, mas os nossos soldados estavam alerta e conseguiram travá-los", sublinhou Qassim al-Moussavi, citado pela Reuters.
A pressão para que o exército iraquiano mostre uma resposta eficaz após o fim das operações de combate dos Estados Unidos no país tem vindo a aumentar. A retirada norte-americana surge numa altura em que os ataques levados a cabo por insurgentes sunitas parecem estar a ser reforçados - ontem, além do atentado no centro capital, explosões nos subúrbios de Bagdade mataram um soldado e feriram pelo menos três civis. As explosões na base militar, um antigo edifício do Ministério da Defesa, foram contudo o ataque mais sangrento desde o ponto final colocado por Obama à invasão norte-americana. O atentado começado com a explosão de uma carrinha armadilhada explodiu nas traseiras do edifício, a que seguiu um raid a pé de dois bombistas suicidas.
Novo amanhecer Chama-se "Novo Amanhecer" o novo capítulo de relações entre Estados Unidos e Iraque. A operação arrancou com o discurso do presidente americano, Barack Obama na terça-feira passada, e demarca-se assim da anterior Operação Liberdade Iraquiana. A nova fase foi anunciado pelo vice-presidente Joe Biden, na cerimónia que apresentou o novo comando norte-americano das operações no Iraque, quarta-feira, na base militar Camp Victory, nos arredores de Bagdade.
Lloyd Austin substituiu o anterior comandante Ray Odierno e tem agora a seu cargo 50 mil homens. "As tropas que ficam - posso acrescentar, prontas a combater, se necessário, como quaisquer outras forças militares - vão aconselhar e dar apoio às forças iraquianas, apoiar operações antiterrorismo e proteger o nosso pessoal militar e civil, bem como as nossas infra-estruturas", disse Biden. "O nosso objectivo não é só um Iraque seguro em termos físicos, mas economicamente próspero, e estável", adiantou, falando das janelas abertas para o comércio mas também ligações culturais e educativas. "Estamos orgulhosos de ser vossos parceiros."
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