O Presidente da República, Cavaco Silva, defendeu hoje que deve contribuir “de uma forma discreta” para o funcionamento das instituições judiciais, nomeadamente do Ministério Público.
Cavaco Silva comentava aos jornalistas, em Sernancelhe, as declarações feitas na quinta feira pelo procurador geral da República, segundo o qual o Presidente da República se mostrou “preocupado com o estado da Justiça”.
“Eu, como Presidente da República, entendo que, de uma forma discreta, devo contribuir para um funcionamento com toda a normalidade das instituições judiciais, neste caso em particular do Ministério Público. E contribuir para que se reforce a confiança dos portugueses na justiça, na investigação criminal”, respondeu aos jornalistas, quando questionado sobre quais eram as suas preocupações.
No entanto, Cavaco Silva disse entender que “um Presidente da República que queira exercer uma efetiva magistratura de influência não deve tratar dessas matérias na praça pública”.
“O protagonismo mediático não joga com a eficiência da magistratura de influência de um Presidente da República. E há alguns que ainda não entenderam isto no nosso país”, considerou.
Isto porque, na sua opinião, “um Presidente da República que queira ter uma influência efetiva na sua magistratura muitas vezes tem que atuar de forma discreta”.
Quando questionado sobre se pretendia recandidatar-se, Cavaco Silva optou por lembrar o seu historial relacionado com o concelho de Sernancelhe.
“Vim aqui como primeiro ministro, cumprindo a minha obrigação. Vim depois mais tarde na caminhada da minha eleição para falar às gentes do interior e agora regresso aqui como Presidente da República. Estou a fazer a minha obrigação, cada coisa no seu tempo, procurando desempenhar bem as tarefas que me cabem quando estou nesta ou na outra função”, afirmou.
Apesar de não estar previsto no programa oficial divulgado pela Presidência da República, Cavaco Silva assiste hoje à noite, em Lamego, à antestreia da produção moçambicana baseada no livro de Mia Couto “O último voo do flamingo”, que marca o arranque da segunda edição do Douro Film Harvest.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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