PCP recusa instabilidade social

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 05 de Setembro de 2010   
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 O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, avisou hoje o primeiro ministro, José Sócrates, que os comunistas recusarão a instabilidade social em nome da estabilidade governativa, a propósito do Orçamento de Estado para 2011.

O líder comunista falava durante um discurso de quase uma hora, no comício de encerramento da Festa do Avante, perante milhares de apoiantes.

“Dizia Sócrates ontem que quem não aprovar o seu orçamento está a fazer desestabilização governativa. Pois fique sabendo, nós não aceitamos que se promova a instabilidade social e as injustiças em nome da salvação da estabilidade governativa em Portugal”, adiantou.

A  preparação do próximo orçamento motivou “uma espécie de jogos florais de verão entre PS e PSD”, com os dois partidos a “encenarem uma crise política, para melhor camuflar as suas conivências e acordos para manter aberto o caminho do rotativismo”, considerou ainda o líder comunista.

Jerónimo de Sousa pediu aos militantes comunistas para não terem ilusões.

“Se com o PS nada mudou na vida difícil dos portugueses, ao contrário, tudo piorou, com o PSD, com ou sem o CDS, nada mudaria e tudo continuaria a agravar-se. É a política ao serviço dos grandes interesses que continua, é a política das injustiças sociais e da concentração da riqueza que permanece”, sustentou.

Sobre o Orçamento do Estado (OE) para o próximo ano, Jerónimo de Sousa afirmou que é marcado “pela suicida e inaceitável decisão da antecipação do calendário da redução do défice” e que vai criar “mais gravosas medidas de austeridade e novos cortes nos direitos sociais”.

O líder anunciou que os comunistas vão voltar a propor, no âmbito da discussão para o próximo OE, a revogação da taxação adicional do IRS, “que constitui um verdadeiro roubo nos salários”, o aumento do salário nacional para 600 euros até 2013, um aumento salarial para os trabalhadores da administração pública e o alargamento do acesso ao subsídio de desemprego.

“Apresentaremos as iniciativas urgentes para que os cortes no acesso às prestações sociais não se concretizem da forma que o Governo pretende”, anunciou Jerónimo de Sousa, prometendo ainda retomar as propostas comunistas em matéria fiscal, nomeadamente um novo imposto sobre as transações em bolsa e transferências financeiras para os paraísos fiscais, o fim dos benefícios fiscais no offshore da Madeira, entre outras.

“Eles dizem que não há dinheiro, camaradas. Há dinheiro, é preciso é ir buscá-lo onde há e não aos bolsos de quem já tem pouco ou não tem nada”, sublinhou.

 

***Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico***

 



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