Era uma vez um jovem chamado João, que nasceu com o dom de não ter medo, que um dia decidiu correr o mundo em busca de algo que o fizesse sentir medo. É a história de João Sem-Medo, o personagem que José Sócrates vestiu na rentrée nacional do PS, em Matosinhos. Sem medo das ameaças do PSD de viabilizar o orçamento de Estado em troca de um recuo nos cortes anunciados às deduções fiscais, sem medo de apresentar as propostas em que acredita. E sem medo das “ameaças de uma crise política”.
Porque se o partido liderado por Pedro Passos Coelho quiser chumbar o OE, o secretário-geral do PS deixou claro: “terá de assumir a responsabilidade política" por colocar em causa a governabilidade. Responsabilidade foi a palavra mais repetida por Sócrates durante mais de 20 minutos de um discurso no qual fez questão de vincar as diferenças com o PSD, sobretudo quando de se trata do tema revisão constitucional.
Porque Passos “esconde” as suas propostas, esconde que quer liberalizar o despedimento, o fim do Sistema Nacional de Saúde tendencialmente gratuito ou o fim da obrigatoriedade do Estado em manter uma rede escolar. “Nunca a diferença" entre PS e PSD, frisou Sócrates, "foi tão clara" na visão do Estado Social que os socialistas prometem defender com unhas e dentes e reforçá-lo no próximo OE.
Em Matosinhos, terra de pescadores, de gente de fibra e sem medo, o primeiro-ministro mostrou que está preparado para uma crise política que todos dizem não querer, mas que todos não temem em anunciá-la.
Discurso directo
"O Estado social não é uma questão menor na nossa democracia, é um pilar estruturante que deve ser reforçado e não fragilizado",
"Espero de todos a disponibilidade para uma atitude séria na discussão e aprovação do Orçamento para se garantir a governabilidade e a capacidade de Portugal garantir os seus compromissos no quadro da União Europeia. Espero que ninguém pretenda irresponsavelmente fazer do debate orçamental o pretexto para abrir uma crise política, que teria consequências profundamente negativas para o interesse nacional",
"Se há aí algum responsável político que não queira estar à altura dos compromissos internacionais assumidos por Portugal, se quer arrastar o país para uma crise política, então que o diga aos portugueses e que assuma essa responsabilidade. Ninguém conte com o PS para alinhar em simulacros e fingimentos, ninguém conte com o PS para ultimatos e crises artificias, e ninguém conte com o PS para pôr mesquinhos cálculos eleitorais à frente do interesse nacional do país"
"Quando se propõem a liberalização do despedimento individual, quando se propõe o fim do Serviço Nacional de Saúde (SNS) tendencialmente gratuito e quando se propõe a eliminação da obrigatoriedade do Estado em manter uma rede de escolas públicas, estamos perante um verdadeiro manifesto contra o Estado social"
"Não fugirão ao debate, a bem da transparência democrática e da clareza das alternativas. Não é aceitável pretender agora esconder agendas políticas e agendas ideológicas, apenas porque não trazem boas surpresas nas sondagens".
Manuel Alegre
"Quero deixar aqui uma palavra de apoio, estímulo e de encorajamento a Manuel Alegre, porque sabemos que representa uma visão progressista para Portugal.”
"Não é uma candidatura do PS, mas sim uma candidatura apoiada pelos socialistas, porque nós não instrumentalizamos as candidaturas presidenciais. As candidaturas presidenciais não têm tutelas partidárias seja se que partido for”.




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