Motociclismo
Shoia Tomizawa. Yasuraka ni nemuru (Descanse em paz)
por Pedro Candeias, Publicado em 06 de Setembro de 2010
Japonês de 19 anos da categoria Moto2 morre atropelado por outros concorrentes durante o GP de São Marino
"Há muitas coisas que podem acontecer numa corrida e os acidentes ocorrem com muita facilidade. Na Moto2 há 40 pilotos, por isso nunca penso nos outros, apenas em mim." Há umas semanas, Shoia Tomizawa deixava no ar uma frase estupidamente premonitória - ontem, o japonês de 19 anos morreu em pista num acidente ridículo no Grande Prémio de São Marino, na mesma pista que deixou o mítico Wayne Rainey confinado a uma cadeira de rodas, em 1993.
Na curva 13, o "Curvone" (grande curva, em português), a 240 km/h, Shoia Tomizawa, que seguia em quarto lugar, perdeu o controlo da moto, caiu e foi atropelado por Alex de Angelis e Scott Redding. Prostrado no meio da pista, Tomisawa esboçou uma reacção com o braço esquerdo quando foi socorrido pelos comissários e corpo clínico do circuito que o reanimaram de uma primeira paragem cardíaca. Depois foi transportado de ambulância para o hospital de Riccione onde entrou em coma. "O piloto encontrava-se num estado crítico. Conseguimos reanimá-lo e estava estável mas em condições muito críticas. Sofreu traumatismos no crânio, no tórax e no abdómen, além de hemorragias internas", disse então Claudio Macchiadogena, o médico da clínica mobile que presta serviços ao Mundial. Às 13h20, já Toni Elias havia conquistado a prova da categoria e as MotoGP deslizavam em pista, Tomizawa foi declarado morto.
RELEMBRAR KATO No espaço de uma semana, o Mundial de motociclismo fica marcado por duas mortes: Peter Lenz, um pequeno génio norte-americano de 13 anos, perdeu a vida em Indianapolis (EUA) numa corrida integrada no calendário do Campeonato. Tal como Tomizawa, Lenz caiu e foi abalroado por outro concorrente. Há sete anos que o paddock não chorava um dos seus: a 6 de Abril de 2003, o também japonês Daijiro Kato, amigo de Valentino Rossi, morreu vítima de ferimentos contraídos num despiste violento durante o Grande Prémio do Japão, em Suzuka.
SEM FESTAS Para os italianos era dia de festa e Valentino Rossi até apareceu com um relógio pintado no topo do capacete: era a hora de voltar às vitórias. Rossi foi terceiro, atrás de Daniel Pedrosa (1.º) e Jorge Lorenzo (2.º). Depois, no pódio, o trio foi informado da morte de Tomizawa e os rostos que normalmente se abrem nas celebrações fecharam-se no luto pelo piloto japonês.
"Sinto um buraco imenso no coração. Está tudo vazio. Foram dois pilotos numa semana. Espero que não haja mais morte e que possamos aproveitar este desporto", disse Pedrosa após vencer pela quarta vez esta época. Jorge Lorenzo, o líder do Mundial, foi breve: "Perdemos uma boa pessoa, um bom piloto e não consigo dizer mais nada." E Valentino Rossi, o tagarela, emudeceu: "Quando isto acontece, o resto não interessa. O Shoya era um rapaz com piada e um grande piloto."
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Artigo: Shoia Tomizawa. Yasuraka ni nemuru (Descanse em paz)
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