FC Porto
Belluschi. São precisos dois anos para se dançar o tango
por Bruno Roseiro, Publicado em 06 de Setembro de 2010
Médio argentino relegou Rúben Micael para o banco, é peça-chave no arranque portista e renovou contrato após primeira época fraca
Fernando Belluschi chegou ao Porto com um papel principal: fazer esquecer Lucho González. No final da época não passava de um actor secundário que se tinha destacado, sobretudo, por ter marcado um golo fabuloso ao Benfica que evitara a festa do grande rival do Dragão. Pelo meio, foi oferecido ao Barcelona - numa altura em que os catalães estiveram perto de vender Yaya Touré - e chegou a ser dado como dispensado. Ano novo, vida nova - qual samurai, uma das suas alcunhas, mostrou lealdade a quem tinha investido em si (é uma das peças-chave do FC Porto), trouxe mais disciplina ao meio-campo (relegando para o banco a antiga referência, Rúben Micael) e já assinou um novo contrato com os azuis e brancos, até 2014. Belluschi, argentino, é mais um exemplo de como, por cá, o tango só se dança ao segundo ano.
Foi assim com Héctor Yazalde, foi assim com Beto Acosta, foi assim com Di María, foi assim com Pablo Aimar. Está a ser assim com o médio que custou cinco milhões de euros (por metade do passe) aos dragões. Da mesma forma como, nos primeiros tempos no Porto, se perdia à saída do centro comercial (e quem o salvava era o GPS...), Belluschi estava preso em campo, sem influência, até com uma ponta de azar à mistura (antes de marcar o primeiro golo acertou algumas vezes no poste); agora está solto em campo, com grande influência, e até com uma pitada de sorte pelo meio (já marcou um livre directo ao ângulo, numa daquelas bolas que mais 20 centímetros acima e... bateria na trave). É ele o maestro da loja criada pelo mestre André (Villas-Boas).
No Olympiacos, para onde se transferiu do River Plate em 2007, era capitão e a grande referência do clube argentino - o filme foi assim: primeira época sem grande destaque (11 jogos, um golo); segunda temporada em grande (25 partidas, cinco tentos só na liga). Uma fotocópia do que se tinha passado também com Lisandro López, que foi aumentando a média de golos à medida que os anos iam passando. Aliás, nos últimos tempos, o único jogador argentino que chegou e pegou de estaca foi mesmo Lucho González. E é por isso que o agora médio do Marselha nunca terá um substituto...
Benítez, Valeri, Bolatti, Prediger, Tomás Costa, Madrid e Farías - sete argentinos que receberam guia de marcha nas derradeiras duas épocas. Sobrou Mariano González, chegou Otamendi, ficou Fernando Belluschi, o verdadeiro sete de que os dragões precisavam no meio-campo.
RIVAIS O grande rival do FC Porto na luta pelo título também assenta a base num núcleo central do tango: uma torre paraguaia (Cardozo, que se destacou no campeonato celeste como Falcao) entre quatro argentinos capazes de fazer a diferença a qualquer momento: Pablo Aimar, Saviola, Gaitán e Jara. E é o rendimento deste quarteto que vai ditar muito do que será o Benfica 2010-11.
Já no Sporting, clube por onde passaram goleadores como Yazalde ou Acosta, sobram agora só dois argentinos - Torsiglieri e Grimi. Ambos defesas, ambos canhotos, ambos não utilizados.
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