Consumo

Não é preciso ser podre de rico para ter jóias das divas

por Diana Garrido, Publicado em 04 de Setembro de 2010   
A Filthy Rich, em Lisboa, vende réplicas de brincos, colares e anéis de Marilyn a Dietrich. Pelo caminho, promove jovens criadores
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Imagine um jantar daqueles que pedem traje escuro, cinco talheres diferentes e conversas discretas. A mulher suspira de aborrecimento, tira o pó ao vestido preto, amigo destas ocasiões, e pensa: aqui ficava bem uma jóia daquelas que encandeiam num raio de três metros. O problema é que a herança de família não inclui jóias e o orçamento não chega para excentricidades do género. É aqui que entra a Filthy Rich. E ninguém precisa de ser rico. Por 72,50 euros estão à venda réplicas fiéis dos brincos de Jacqueline Kennedy Onassis. Substitui-se o ouro branco por prata e os diamantes por zircónias. O brilho é quase o mesmo e o impacto também.



A loja A Filthy Rich vem directamente dos EUA para o Chiado, em Lisboa, pelas mãos de Paula Lourenço e Diogo Gonçalves. A ideia é "tornar acessível a aquisição de réplicas de jóias históricas das celebridades mundiais". Mas atenção, aqui só há réplicas de peças cujas divas já morreram. Só para essas existem autorizações de comercialização.

A par com a Filthy Rich, Paula e Diogo criaram, na mesma loja, a Soul Real, "um espaço multicultural que quer dar aos jovens designers portugueses uma hipótese de mostrar os seus trabalhos no âmbito da joalharia", explica Diogo. E pode até soltar o pequeno criador que tem dentro de si: "As pessoas podem chegar com o desenho de uma peça que gostassem de ter, que nós procuramos quem faça. Se não souber desenhar, pode explicar a ideia e nós tentamos reproduzir o mais parecido possível. E se tiver peças que gostasse de transformar numa coisa nova, diferente, nós também ajudamos", garante Paula.

Por isso, já sabe: se tiver botões de punho do avô, camafeus da avó, ou um pendente da mãe que já viram melhores dias mas que têm um lugar especial nas memórias de infância, pode sempre dar-lhes uma cara nova.

Voltando às réplicas das divas de Hollywood, a par com os brincos de Marilyn Monroe ou de Audrey Hepburn, os pendentes de Marlene Dietrich, os anéis de Vivien Leigh ou Lana Turner, há peças para todos os gostos. Desde uma réplica do anel de noivado que Edward deu a Bella, os personagens de "Twilight", a um anel usado pela actriz Kristen Stewart nos filmes da mesma saga. Há pentagramas para os mais góticos, caveiras para os mais mórbidos, peças de vidro para os mais delicados. E, claro, jóias de inspiração: "São peças parecidas ou inspiradas em filmes, criadores, como Lalique ou Stern, ou estrelas de hoje, como Angelina Jolie, Madonna, entre outras."

No centro da loja - concebida por Diogo - há um módulo central que todos os meses recebe exposições temporárias de criadores de outras paragens. A partir de dia 10 é a vez da Argentina.

Mudar de vida Paula Lourenço e Diogo Gonçalves são casados e têm quatro filhos, entre os 15 e os 11 anos. Paula, que trabalhava no ramo da indústria automóvel, fartou-se de discutir "pára-choques de carros". Diogo, já "tinha atingido o topo da carreira" e queria uma mudança. "Hoje trabalhamos seis dias por semana, 12 horas por dia, mas vir para o trabalho dá muito mais gozo. E conhecemos pessoas interessantes e diferentes que têm alguma coisa para nos ensinar."

Rua António Maria Cardoso, 39B, Lisboa

Segunda a sábado, das 10h00 às 20h00


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