Casa Pia: Bagão Félix diz que condenação de arguidos é "compensação" para as vítimas

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 03 de Setembro de 2010   
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Bagão Félix, antigo ministro das Finanças e do Trabalho e da Segurança Social, referiu hoje que a condenação de seis dos sete arguidos no caso Casa Pia significa uma "compensação" para as vítimas.

Sem tecer comentários sobre as penas, a maior das quais de 18 anos de prisão efetiva, Bagão Félix referiu à agência Lusa que se trata de "um dia importante, independentemente da sentença e dos condenados", e lembrou "aqueles que sofreram com as sevícias e os crimes".

"Normalmente, olha-se para os acusados e arguidos e esquece-se o lado das vítimas, que são pessoas como nós, com corpo, reais", afirmou, admitindo que se "fez Justiça".

"Este é um dia de compensação pelos atos gravosos que marcaram as vítimas para toda a vida", reforçou Bagão Félix, considerando que o último julgamento, hoje realizado no edifício das Varas Criminais do Campus de Justiça de Lisboa, "é um momento dissuassor, preventivo e sinalizador de crimes inqualificáveis".

Por isso, Bagão Félix considerou que o processo constitui "uma reflexão", até para a "própria instituição Casa Pia, que é da tutela do Governo".

O antigo governante realçou ainda "a coragem e determinação na luta sem tréguas" travada por Catalina Pestana, provedora da Casa Pia de Lisboa de 2002 A 2007, nomeada por Bagão Félix, então ministro do Trabalho e da Segurança Social, com a tutela da instituição.

O julgamento do caso Casa Pia, iniciado a 24 de novembro de 2004, terminou hoje com a leitura da sentença, com o tribunal a condenar seis dos sete arguidos, acusados de abusos sexuais de menores, lenocínio e outros crimes.

A pena maior foi atribuída a Carlos Silvino, com o ex-funcionário da Casa Pia a ser condenado a 18 anos de prisão efetiva.

O apresentador de televisão Carlos Cruz foi condenado a sete anos de prisão efetiva, o diplomata aposentado Jorge Ritto a seis anos e oito meses e o ex-provedor-adjunto da Casa Pia Manuel Abrantes a cinco anos e nove meses.

O tribunal aplicou ainda ao médico Ferreira Diniz a pena de sete anos de prisão efetiva e ao advogado Hugo Marçal a de seis anos e meio.

Gertrudes Nunes, doméstica e ex-ama da Segurança Social, foi absolvida.

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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