Médio Oriente: Comissário europeu acusado de anti-semitismo

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 03 de Setembro de 2010   
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O comissário europeu Karel De Gucht, antigo chefe da diplomacia belga, viu-se hoje no centro de uma polémica devido a afirmações consideradas antissemitas.

Karel De Gucht, responsável pelo comércio na Comissão Europeia, declarou na quinta feira a uma rádio belga que "é preciso não subestimar o peso do 'lobby' pró-israelita no Capitólio", alegando que é o grupo que melhor se organiza.

O comissário disse ainda que a maior parte dos judeus estão convencidos que têm sempre razão e que isso dificilmente "pode ser rebatido com argumentos racionais".

Para Karel De Gucht, "não é fácil, mesmo com um judeu moderado, ter uma discussão sobre o que se passa no Médio Oriente. É uma questão muito emocional".

O Congresso Judaico Europeu (CJE) afirmou-se "indignado" com as afirmações e pediu a Karel De Gucht para se desculpar.

"Trata-se de uma forma injuriosa de antissemitismo da parte de um alto responsável europeu", afirmou o presidente do CJE, Moshe Kantor.

A Comissão Europeia distanciou-se das declarações do comissário, indicando, através de um porta-voz, Olivier Bailly, que foram "afirmações pessoais que não representam a opinião bem conhecida da Comissão ou do Conselho (de ministros da UE) sobre o processo de paz no Médio Oriente".

As declarações foram feitas numa altura em que recomeçavam em Washington as negociações diretas entre palestinianos e israelitas, após uma interrupção de 20 meses.

De Gucht não apresentou desculpas, mas disse hoje "lamentar" a interpretação que possa ser feita das declarações, garantindo que nunca quis "estigmatizar" a comunidade judaica.

Ministro dos Negócios Estrangeiros da Bélgica entre 2004 e 2009, Karel De Gucht, 56 anos, fez já outras declarações polémicas e esteve na origem da rotura das relações diplomáticas entre o seu país e a República Democrática do Congo em 2008 pela forma violenta como denunciou a corrupção das elites congolesas.

A tensão entre a Bélgica e a sua antiga colónia acalmou depois de Karel De Gucht ter saído do Governo para a Comissão Europeia.



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