Para quem já andou de avião, isto não é novidade: “Senhores passageiros, daqui fala o vosso comandante. Estamos a atravessar uma zona de turbulência pelo que deverão permanecer sentados nos seus lugares e com os cintos de segurança apertados.”
Mais ou menos técnico, este é o discurso da praxe num avião quando a coisa treme. E o melhor é cumprir as indicações, não vá o dito subir, descer ou virar à esquerda ou à direita sem avisar. Portanto, juntem as duas peças de alumínio presas pelo tecido e desfrutem o resto da viagem enquanto comissários e hospedeiras vos sossegam.
A maior parte das vezes não acontece nada (felizmente); mas uma ou outra vez, o inesperado acontece e aí não há piloto automático ou manual que valha – e uma viagem à partida tranquila vira um pequeno pesadelo.
“Eu sou o piloto automático”, disse Agostinho Oliveira, chamado à condução da selecção no castigo de Carlos Queiroz. Pela frente, Agostinho e Portugal tinham em teoria um passeiozinho no parque – nos quatro jogos feitos frente a Chipre, a selecção havia-os ganho todos e marcado 15 golos e sofrido nenhum. Agostinho não podia pedir mais no arranque do apuramento para o Europeu–2012.
Era um começo fácil, pois era. Só que logo aos 3 minutos, Aloneftis fez um chapéu a Eduardo e em Guimarães assobiou-se, primeiro, e aplaudiu-se, depois, quando Hugo Almeida fez o empate (8’). Uff, respirou-se de alívio. Foi um falso alarme? Não foi. Konstantinou voltou a fazer tremer o avião quando o tripulante Raul Meireles deixou fugir o carrinho corredor abaixo, entregando a bola ao capitão cipriota que contornou Eduardo para fazer o 2-1 (12’). Meireles, o fiável Meireles, entregou o ouro ao bandido e Bruno Alves, a seguir, quase fez o mesmo não fosse Ricardo Carvalho andar a policiar como ninguém a sua grande área. Portugal fazia tremelicar a defesa de Chipre e também tremelicava na sua e neste jogo do vai-não-vai, chegou ao empate por Meireles, num remate do meio da rua (29’). De resto, Portugal foi quase todo de Quaresma até ao intervalo. E do Portugal seguro do Mundial (apenas um golo encaixado, com a Espanha) nada se via.
Mas viu-se outro, aquele que faz golos. E enquanto forem mais aqueles que marca do que os que sofre, tudo bem, o avião lá vai seguindo viagem com sustos maiores ou menores. Danny, que fez de Deco, pôs Portugal pela primeira vez em vantagem (50’) e Fernandes voltou a fazê-lo (60’) porque pelo meio, Okkas marcara para o 3-3 (57’). Aos solavancos, por entre poços de ar, a comitiva portuguesa tentou estabilizar usando as asas: Nani e Quaresma, com reactores sob os pés, cortaram o ar e a confiança cresceu tanto que Almeida tentou o calcanhar e Nani o golo à meia volta. Nada feito. Ovraam (89’) forçou a um desvio de trajectória quando Portugal se fazia à pista com três pontos. A seguir, outro voo, rumo à Noruega. E aquele sinal luminoso por cima dos bancos continua aceso.
Reveja como decorreu a partida:




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