Médio Oriente: Ahmadinejad diz que negociações estão condenadas ao fracasso

por Marta F. Reis com Agência Lusa , Publicado em 03 de Setembro de 2010   
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As negociações israelo-palestinianas lançadas na quinta feira sob a égide dos Estados Unidos estão mortas à nascença e “condenadas ao fracasso”, afirmou hoje o presidente do Irão, Mahmud Ahmadinejad, num discurso do “dia de Qods” (Jerusalém), de apoio ao povo palestiniano.

Ahmadinejad afirmou também, no mesmo discurso, que “os povos da região” são “capazes de fazer desaparecer o regime sionista da cena” internacional. “Se os dirigentes não querem agir, então que deixem os seus povos livres” para o fazerem, disse.

O Presidente iraniano criticou, sem o citar, o presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmud Abbas, que qualificou de “refém” de Israel por ter aceite reunir-se na quinta feira em Washington com o primeiro ministro israelita, Benjamin Netanyahu.

“O que representam eles? O que querem negociar? Quem lhes deu o direito de vender a mais pequena parte do território palestiniano?”, questionou o Presidente iraniano, referindo-se aos negociadores palestinianos.

O Irão, que não reconhece o Estado de Israel e defende o seu desaparecimento, apoia o movimento radical islâmico Hamas, que controla a Faixa de Gaza e se opõe a qualquer compromisso com Israel.

Ahmadinejad voltou também a criticar “o apoio total dos países ocidentais” a Israel, que afirmou basear-se nas “mentiras” sobre o Holocausto, o qual já foi posto várias vezes em causa pelo Presidente iraniano.

Os ocidentais “deformaram a história”. “Usaram como pretexto mentiras sobre o que se passou na Europa para ocupar as terras de outros povos e cometer os seus crimes no Médio Oriente”, disse.

Segundo imagens transmitidas hoje pela televisão estatal iraniana, dezenas de milhares de pessoas reuniram-se hoje em Teerão e noutras cidades iranianas para manifestações organizadas pelo regime em apoio dos palestinianos.

A televisão mostrou grandes manifestações, em várias cidades, em que os participantes gritavam palavras de ordem como “morte a Israel” e “morte à América” e brandindo faixas com a inscrição “Qods (Jerusalém) pertence-nos”.

“Um dia em breve, se deus quiser, iremos orar em Qods”, disse o locutor da televisão estatal, afirmando que “milhões de iranianos participam nas manifestações” por todo o país.

O “dia de Qods” é assinalado todos os anos na última sexta feira do mês do Ramadão. Em 2009, o dia foi aproveitado pela oposição para organizar em Teerão uma manifestação contra a controversa reeleição de Mahmud Ahmadinejad no mês anterior.

Este ano, a única figura da oposição que anunciou a intenção de voltar a protestar, o antigo presidente do Parlamento e candidato derrotado nas presidenciais de 2009 Mehdi Karubi, foi hoje impedido de sair de casa por dezenas de milicianos do regime (bassidjis), segundo o seu ‘site’ Internet.

Os bassidjis mantêm cercada a casa de Karubi desde domingo e, segundo os ‘sites’ Sahmanews e Jahanews, na quinta feira à noite atacaram a residência e envolveram-se em trocas de tiros com os guarda-costas de Karubi.


*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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