Laurentino contra-ataca e pede que a Federação tome decisões
por Mariana Pinheiro, Publicado em 03 de Setembro de 2010
Secretário de Estado da Juventude e do Desporto não toma partido sobre afastamento de Carlos Queiroz
Laurentino Dias foi fugaz. Não disse se concordava ou não com o afastamento de Carlos Queiroz dos comandos da selecção nacional, mas foi peremptório quando lhe perguntaram se concordava com a suspensão de seis meses aplicada pela Autoridade Antidopagem de Portugal (ADoP) ao seleccionador. "Eu concordo com a decisão da ADoP que se reflecte na suspensão de seis meses ao seleccionador Carlos Queiroz. Acho que se ajusta ao que está nos actos. Houve perturbação do controlo antidoping na Covilhã", disse, acrescentando que não havia motivo para surpresas porque qualquer controlo se realiza sempre às oito horas, "porque é sempre assim".
O secretário de Estado da Juventude e do Desporto negou ainda as críticas que lhe fizeram sobre uma alegada intervenção do governo no processo, garantindo que este cumpriu integralmente o que está previsto na lei. "A ADoP é uma autoridade pública, que tal como PSP, GNR, e outras organizações, exerce na sua missão funções de fiscalização. A ideia de justiça governamental é uma tentativa sem êxito de desviar atenções. A ADoP é uma organização nacional que tem competência na política de combate ao doping. Ao governo compete apenas assegurar meios humanos e financeiros para desenvolverem a sua actividade, garantindo-lhe autonomia e independência", explicou.
Sobre uma possível demissão de Carlos Queiroz, o secretário de Estado não se quis alongar, mas deixou a resposta no ar. "Tenho todo o gosto em responder que era preciso haver coragem para tomar decisões. Nas que me competem respondo, nas que não me competem, que responda quem deve". E terminou a conferência de imprensa pedindo à Federação Portuguesa de Futebol (FPF) que "esteja à altura das suas responsabilidades e que no exercício das suas funções garantam transparência, credibilidade, dignidade, e que tomem as decisões que entenderem ser as melhores para o futebol português", rematou.
ATENUANTES O acórdão da ADoP explica, entre críticas ao Conselho de Disciplina da Federação, o porquê de ter reduzido a pena ao seleccionador de dois para meio ano: o controlo antidoping realizou-se; não existem antecedentes; prestou serviços relevantes ao futebol português; tem um currículo desportivo; e recebeu condecorações governamentais. Curiosamente, parte destes argumentos serão agora usados pela defesa de Queiroz no TAS, Tribunal Arbitral do Desporto, para pedir a suspensão da pena... Com Bruno Roseiro
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