Reino Unido

Boatos, amor gay e traições obrigam ministros britânicos a expor vida privada

por Gonçalo Venâncio, Publicado em 03 de Setembro de 2010   
William Hague justifica-se depois de rumores de relação com um assessor. Foi o último caso
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A vida privada dos ministros do governo de coligação conservadora-democrata liberal começa a dar muitas dores de cabeça ao primeiro-ministro David Cameron. William Hague, o chefe da diplomacia britânica, é o último membro do governo a ter de vir a público justificar factos da sua vida privada, depois de se terem colocado muitas dúvidas relativamente à sua orientação sexual. Em Whitehall e Westminster espalhou-se rapidamente o rumor - com origem num blogue - de que Hague, um conservador, teria uma relação imprópria com o seu conselheiro especial Christopher Myers, de 25 anos. Na quarta-feira, Hague considerou as alegações "maliciosas e falsas" mas confessou ter cometido um "erro de julgamento" ao partilhar quartos de hotel com o seu assistente. Myers, aliás, demitiu-se do cargo por não suportar a "pressão" do caso.

Num tom pessoal e revelando vários pormenores da sua vida íntima, Hague confessou ter um casamento "forte" e que acabou recentemente de ultrapassar o drama de um aborto. Em Downing Street, o porta-voz do primeiro- -ministro declarou "100% de apoio" à atitude de Hague. Mas no partido, a declaração do ministro não foi bem recebida. "Na melhor das hipóteses foi ingénua, na pior foi tola", arrasa o par conservador, Lord Tebbit, sinalizando o desconforto do partido perante a sucessão de escândalos.

Ainda a coligação não tinha comemorado 20 dias e já sofria a primeira baixa. David Laws, um Libdem e um peso-pesado no Tesouro, abandonou o governo depois de ter sido acusado de conduta imprópria na utilização de dinheiros públicos De uma assentada, não só Laws caía no lamaçal do escândalo das despesas como se ficava a saber que o dinheiro dos contribuintes servia para pagar o apartamento que partilhava com o seu namorado. Pouco tempo depois, foi a vez do ministro do Ambiente Chris Huhne - outro Libdem - ficar debaixo de fogo quando veio a público a sua relação com uma assessora pondo em causa um casamento de 26 anos.

A semana passada, o conservador Crispin Blunt pôs fim a um casamento de vinte anos com Vitória e, aos 50 anos, resolveu pôr tudo em pratos limpos: "[Crispin] clarificou a sua homossexualidade e explicou a sua posição à família", deu nota o gabinete do secretário de Estado da Justiça. Estarão os conservadores a sair do armário? Na verdade, as posições dos membros do governo não são alheias à reconversão ideológica que David Cameron operou nos tories. Modernizador, Cameron alterou o DNA do partido em questões sociais - como os direitos dos homossexuais, por exemplo - e é também isso que hoje faz dos tories um parceiro natural dos LibDems no poder. Gonçalo Venâncio


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