Política
PS. Rentrée de Matosinhos com menos drama e mais Orçamento
Publicado em 03 de Setembro de 2010
PS insiste na agenda neoliberal do PSD mas deverá suavizar as críticas. Orçamento oblige
Na teoria é a rentrée política do PS. Mas na prática, o comício de amanhã, em Matosinhos, vai soar mais ao desfecho de uma rentrée que dura há duas semanas. O guião é conhecido: a defesa do Estado social, do serviço nacional de saúde (SNS), da escola pública e do emprego, contra a "deriva neoliberal" da nova direcção do PSD. Mas o recente extremar de posições entre o governo e a equipa de Passos Coelho dará agora lugar a uma nova fase de combate político, com menos dramatização: a viabilização do Orçamento do Estado para 2011 a isso o obrigará, admitem os socialistas.
"O PS está com a maior determinação para criar consensos alargados", garante o deputado José Lello, convicto de que o debate político entre o governo e o principal partido da oposição não decorrerá sem que as duas partes tenham noção do "preocupante que seria para o país um clima de incerteza e instabilidade junto dos mercados financeiros".
Embora não negue as divergências de fundo entre socialistas e sociais-democratas em matérias como "o papel do Estado social, a importância do SNS ou a liberalização do emprego", o deputado que integra o secretariado nacional do PS admite, no entanto, que "se forem questões pontuais" a levantar obstáculos à viabilização do Orçamento do Estado, governo e PSD "encontrarão uma forma de garantir a estabilidade para que o país não fique inibido" na sua recuperação económica.
"Temos optimismo", diz, justificando os recentes ataques dos dirigentes do PS às propostas sociais-democratas com a urgência de "não ficar inactivo perante ameaças de conflitos". "Não podemos ceder a chantagens ou tentativas de trocas para aprovar o Orçamento. Mas estamos abertos a consensos", insiste José Lello.
A eurodeputada socialista Ana Gomes também acusa a nova direcção do PSD de ter "uma agenda neo-liberal", mas desvaloriza o real impacto de algumas das medidas que integravam a primeira versão do projecto de revisão constitucional social-democrata. "É lançar barro à parede", diz. E quanto às negociações para o Orçamento do Estado, Ana Gomes considera que não há grande margem de manobra. "Estou convencida que o PSD pagará politicamente a responsabilidade de lançar uma crise e acabará por chegar a um acordo com o governo. Até porque o próprio Presidente da Republica não quer uma crise política", sublinha a eurodeputada.
PSD diz que não abre crise A crescente convicção de que governo e PSD chegarão a entendimento para viabilizar o OE foi ontem também alimentada pelas declarações do secretário-geral do PSD, Miguel Relvas, em entrevista ao "Negócios". "Não será por iniciativa do PSD que o governo vai cair. Este governo tem um mandato de quatro anos que deve ser para cumprir", garantiu, defendendo também que "o país não deve viver sem Orçamento" em 2011. Para isso, no entanto, sublinha a necessidade de o governo "negociar de boa-fé" com o PSD. Com Liliana Valente
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