Selecção

Portugal. Piloto Agostinho junta meia tripulação do Euro Sub-21

por Bruno Roseiro, Publicado em 03 de Setembro de 2010   
Caso Queiroz fez mossa mas major promovido a general vai à guerra com os "seus" soldados
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Nem de propósito: Agostinho Oliveira, o treinador que vai substituir Carlos Queiroz no arranque da fase de qualificação para o campeonato da Europa de 2012, assumiu-se como "o piloto automático" que Gilberto Madaíl, presidente da Federação, invocou no início da concentração dos jogadores. "Mas atenção: não se pode levar essa expressão a peito...", acrescentou. E até a alcunha de Pezinhos, revelada numa reportagem do i na véspera, foi abordada indirectamente. "Qual será o meio-campo titular? Olhe, estava a pensar dar uma perninha e tudo", disse entre sorrisos o ex-jogador que, ao que consta, até tinha muito jeito para a bola. Portugal defronta hoje Chipre com o adjunto de Queiroz no banco. O major foi promovido a general e vai à guerra com os "seus" soldados - aqueles que estiveram no Europeu de Sub-21 de 2006. "90% dos jogadores passaram na minha mão nos sub-21. São personalidades que conheço e compreendo, o que vai facilitar trabalho", assumiu. E nem precisa de ligar à torre de controlo ao intervalo, como o próprio admite. "As decisões vão ser tomadas por quem está a viver o momento."

"O meio-campo preocupa-me", referiu Agostinho Oliveira. Sem Pedro Mendes e Pepe, por lesão, e Deco, por renúncia, o interino prepara-se para apostar num trio composto por Raul Meireles, Manuel Fernandes e João Moutinho. E até explica porque deve excluir Tiago. "O Raul, pela sua fisionomia particular, não tem problemas se não estiver a competir. O Tiago tem mais dificuldades", disse antes de explicar a ausência de Moutinho no Mundial de 2010. "Foi uma análise profunda e não estava no momento ideal para nos ajudar. Agora voltou à sua melhor forma e tem lugar neste grupo."

Sobre o ataque, que será composto por Nani, Hugo Almeida e Quaresma (Danny também é uma hipótese mas a empatia do extremo do Besiktas com os adeptos pode ser uma mais-valia na escolha final), nem uma palavra. Mas Agostinho fez quase um campo inteiro para trás e explicou o porquê da ausência de Rui Patrício, tão criticada por José Eduardo Bettencourt, presidente do Sporting: "O Rui precisa de fazer agora mais dois jogos internacionais e é mais importante nesta fase aos sub-21. Faz parte do seu crescimento, caso contrário até poderia estar aqui connosco na selecção principal."

DESPISTE Inevitavelmente, o caso Queiroz acabou por vir à baila. E, como começa a ser (mau) hábito, parte da conferência entroncou em matérias quase extra--futebol. "Quem fez a convocatória fui eu e o professor Carlos Queiroz, que só não podia assinar. Estou a tentar fazer o trabalho dele da melhor forma possível mas o seleccionador continua a ser ele", reforçou antes de admitir que a novela deixou marcas. "O grupo de trabalho não tem nada a ver com esta situação e tentei fazer com que passasse à margem da polémica. Mas cria alguma mossa..."

Ninguém passa à margem. Até os treinadores portugueses no estrangeiro. "É uma situação que não me deixa contente. Mesmo que seja para ir embora, resolvam as coisas", comentou Mourinho, à margem de um encontro da elite de técnicos. "Piloto automático é só nos aviões... Foi a forma de aliviar um problema criado e que não foi tratado da melhor forma", completou Jesualdo Ferreira.

Ainda assim, e voltando de novo ao futebol, Portugal deve passar ao lado de toda a confusão. Dizem as casas de apostas - que dão mais de 15 euros por euro apostado em caso de triunfo de Chipre -, diz a história (desde 1996 que Portugal não perde no primeiro jogo da fase de qualificação), diz Agostinho Oliveira. "Assumimos o favoritismo, até pela nossa história de sucesso. Chipre não será uma equipa fácil, são muito certinhos e equilibrados, com um ou outro sector forte. Todos trabalham bem a bola", ressalvou. Por isso, a tarde foi dedicada a ver vídeos de antigos encontros da formação cipriota, uma prática que passou a ser muito mais usual desde que Queiroz regressou.

LÍDER Depois do Mundial, o seleccionador tinha apenas uma dúvida: manter o capitão, Cristiano Ronaldo, ou elevar Bruno Alves a essa condição. Afinal, havia a terceira opção chamada Ricardo Carvalho - perante a lesão do avançado do Real Madrid, Queiroz, perdão, Agostinho Oliveira, preferiu ir pela antiguidade (e não pelo que estava previsto...) e deu ao central merengue a braçadeira. E foi o capitão frente a Chipre - que não sabia da ideia de Paulo Ferreira e Simão renunciarem - que aliviou a pressão: "Não é o melhor momento mas vamos superá-lo, mesmo não sendo obrigados a ganhar".

Veja hoje Portugal-Chipre às 20h45 (RTP1)


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