O deputado social democrata e constitucionalista Jorge Bacelar Gouveia criticou hoje o processo interno de elaboração do projeto de revisão constitucional do PSD e defendeu que este deve ser levado para consulta ao grupo parlamentar.
Em declarações à Agência Lusa, Bacelar Gouveia queixou-se de ter visto todas as suas ideias recusadas pela comissão de revisão constitucional e defendeu que o projeto do PSD não deve ser apresentado formalmente sem antes haver uma consulta aos deputados do partido.
"A Comissão Política deve estabelecer as suas opções, mas consultar o grupo parlamentar, saber se não haveria outros contributos a acolher. Eu dei os meus contributos na comissão, que não foram atendidos. Não foi à primeira, pode ser que seja à segunda, como deputado. Não vou desistir das minhas ideias", disse.
Bacelar Gouveia argumentou que "quem tem o poder de apresentar projetos de revisão constitucional não é a Comissão Política, são os deputados".
"O grupo parlamentar não pode ser ostracizado deste processo. É indispensável que haja uma colaboração do grupo parlamentar e que os deputados também sejam chamados a dar o seu contributo. Não são apenas uma mera correia de transmissão", reforçou.
Contactado pela agência Lusa, o líder parlamentar do PSD, Miguel Macedo, disse não querer fazer comentários a estas declarações de Bacelar Gouveia.
Por outro lado, de acordo com Bacelar Gouveia, a comissão de redação final do projeto de revisão constitucional do PSD, órgão ao qual pertence, "nunca reuniu", pelo menos com a sua presença.
"Criou-se uma comissão de redação final de quatro pessoas que nunca reuniu. Só os quatro, não. Só se reuniu sem a minha presença", disse o social democrata, referindo que os outros três membros dessa comissão são Paulo Teixeira Pinto, Calvão da Silva e Assunção Esteves.
Segundo Bacelar Gouveia, o que se realizou nesta quarta feira "foi uma reunião da comissão que já existia anteriormente" – a comissão de revisão constitucional coordenada por Paulo Teixeira Pinto, que elaborou o anteprojeto aprovado em julho, com algumas alterações, pelo Conselho Nacional do PSD.
A agência Lusa tentou, sem sucesso, contactar Paulo Teixeira Pinto.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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