Póquer
Teddy Sheringham. "Houve interesse do Sporting mas não fui muito atrás disso"
por Rui Catalão, Publicado em 03 de Setembro de 2010
Trocou os relvados pelas mesas de póquer. Em Vilamoura, mostrou que está à altura dos melhores. Mas o futebol não podia faltar nesta entrevista
Encontramos Teddy Sheringham na varanda do Casino de Vilamoura, depois de mais um dia de torneio. Está com pressa para seguir para o hotel, mas aceita falar uns minutos connosco. "Vamos a isso, então." A conversa começa no póquer mas passa logo para o futebol.
Como é que um antigo jogador de futebol chega a um nível destes num desporto de cartas?
Foi uma coisa muito natural. Comecei a jogar às cartas quando viajava no autocarro com as minhas equipas de um lado para o outro, e também nos quartos de hotel, durante os estágios. E, vá, percebo mais de cartas do que a maioria do pessoal.
Nessa altura já conhecia Portugal.
Sim. A primeira vez que vim cá foi há uns 22 anos, de férias. Vinha muito para a Quinta do Lago, onde também jogava golfe com frequência. Só nunca joguei futebol cá.
Mas até houve interesse de um clube português, o Sporting, aqui há uns anos. Ou não?
Houve algumas negociações, mas nunca se concretizaram. Também não fui muito atrás disso e acabou por não acontecer. Foi numa altura em que estava praticamente de saída do Manchester United.
Depois seguiram-se Tottenham, Portsmouth, West Ham e Colchester. Foi o fim de uma era gloriosa, marcada por aquela mítica final com o Bayern?
Pois. Ganhar a Liga dos Campeões é o melhor que pode haver. Sobretudo quando se marca o golo do empate numa final daquelas. Só de estar à volta daquele troféu gigante... bom, em Inglaterra temos a Taça, a Taça da Liga e a Supertaça, mas a Champions é enorme! Quando estás junto a ela ficas de boca aberta. Só consegues dizer "uaaaau"! E é muito pesada. Depois a equipa foi mudando aos poucos, embora tenham ficado figuras como o Ryan Giggs, o Paul Scholes ou os irmãos Neville.
E sir Alex Ferguson...
Ó, claro! He''s the man! Aquele homem vê tudo. Até pode estar a olhar para a frente, mas sabe o que se passa atrás dele. É como se tivesse quatro olhos.
O Manchester United continua como tema central. Até que chegamos a Bebé, cuja transferência para os red devils surpreendeu tudo e todos. É aí que Sheringham assume o papel de entrevistador.
Ele tem qualidade? Diz-me tu.
Não sei. Não vi jogos suficientes para ter uma opinião clara sobre isso. Mas nove milhões de euros é muito dinheiro...
Pois. E ele ainda está muito em bruto, precisa de ser trabalhado. Não é?
[Digo que sim com a cabeça]
Então Ferguson vai olhar por ele e só depois vai pô-lo a jogar bom futebol. Ele protege bem os jovens. Vais ver.
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