Fátima Moreira de Melo. É holandesa mas foi baptizada cá. Onde? Basta olhar para o nome

por Rui Catalão, Publicado em 02 de Setembro de 2010   
Foi campeã olímpica de hóquei em campo, em 2008. Desde então, esta lusodescendente voltou-se para o póquer. E quer ganhar muitos torneios
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Sentada num pufe, com um jardim à sua volta, Fátima Moreira de Melo parece uma rainha no seu trono. Não tem coroa, mas compensa isso com as medalhas de ouro conquistadas nos Jogos Olímpicos de 2008, em Pequim, e no Mundial (em 2006) com a selecção holandesa de hóquei em campo. Hoje em dia é uma princesa no póquer: embora tenha começado a jogar ao mais alto nível há pouco tempo, quer chegar ao topo.

O nome desta lusodescedente é como o algodão, não engana. O pai é lisboeta e, como tinha família cá, boa parte das férias eram passadas em Portugal. A pronúncia não é brilhante, mas é ela quem pede para fazer a entrevista na língua de Camões: "Se tiver dificuldade em responder a alguma coisa, digo em inglês. Ok?" Combinado. O acordo morre, no entanto, à primeira pergunta. "Hum... vou responder a isso em inglês, é mais fácil para mim." Mas até ao fim da conversa a língua portuguesa iria voltar a aparecer várias vezes, na maioria por engano.

Apesar da distância - só vinha cá com frequência quando era pequena - Fátima Moreira de Melo vê Portugal como um sítio muito próximo. "Revejo-me na maneira de ser dos portugueses, na forma como lidam uns com os outros. São todos muito acolhedores: dizem ''então vizinho, tudo bem?''. Mesmo nunca tendo vivido cá, sinto-me muito bem aqui." Da infância recorda sobretudo "o tempo passado na praia, a brincar, brincar, brincar". E a essas memórias felizes junta outra: "Até fui baptizada em Fátima!"

Entretanto fez carreira no hóquei, mas até aos dez anos, conciliava o stick com a raquete de ténis. Um dia teve de optar por uma das modalidades e escolheu aquela que lhe permitia estar com as outras raparigas. "Na altura achei que seria mais engraçado. Agora estou num desporto individual, o póquer." E também gosta de futebol. Por isso, surge a inevitável questão: como se sente quando Portugal e Holanda se defrontam? "Num Europeu ou Mundial, perguntam-me sempre por quem estou. Mas digo--te: gosto muito da forma como Portugal joga futebol. É um estilo mais criativo, com mais fintas. O holandês não é assim. Mas não quero mesmo escolher. O meu namorado diz-me sempre: ''Pois, pois. Queres é que Portugal ganhe!'' É divertido, porque tenho duas equipas que posso apoiar. Por isso ganho sempre."

No futebol, já se viu que Fátima até puxa um pouco mais para o lado da selecção portuguesa. E quando o assunto são os clubes? "Não costumo ver, mas tivesse de ser de uma equipa... hum, o meu pai sempre foi do Benfica. Teria de escolher o Benfica, senão espancava-me."


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