Veneza 2010. Este festival não é para velhos
Publicado em 02 de Setembro de 2010
Média de idades dos realizadores na mostra é de 47 anos. "Uma edição ágil", promete o director do evento, Marco Muller
Os números valem o que valem. A idade também. Na 67ª edição do Festival de Veneza, a participação lusa está representada por duas gerações antípodas do cinema português: Manoel de Oliveira, o realizador mais velho do mundo em actividade, figura na secção "Orizzonti" com outro cineasta português, João Nicolau, cujo tempo de vida, 35 anos, não chega a metade da carreira do autor de "Aniki-Bobó". Esta será, no entanto, a tónica do evento, que arrancou quarta-feira e se prolonga até dia 11. Um "festival laboratório" marcado por uma nova geração de cineastas. "Se excluirmos Monte Hellman, de 78 anos [que está em Veneza a apresentar a sua última produção, ''Road to Nowhere''], a média de idades na mostra competitiva cai para 45 anos", disse o director Marco Muller.
Darren Aronofsky, de 41 anos, é um dos grandes candidatos ao Leão de Ouro, depois de ter arrecadado o prémio em 2008, com "O Lutador". Este ano, o realizador norte-americano está em Veneza com "Black Swann", uma longa-metragem com a participação de Natalie Portman e Vicent Cassel. A ele juntam-se ainda na lista de filmes em competição oficial nomes como Sofia Copola ("Somewhere"), François Ozon ("8 Mulheres"), Kelly Reichardt ("Meek''s Cutoff"), Pablo Larraín ("Post Mortem"), Tsui Hark ("Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame"), Jerzy Skolimowski, Vicent Gallo ("Promisses Writen in Water e The Agent"), Abdellatif Kechiche ("Venus Noire"), Takashi Miike ("13 Assassins") e Monte Helleman ("Road to Nowhere"). No total, a disputar o Leão de Ouro estão 24 filmes de 11 países. A competição oficial será julgada por Quentin Tarantino, num júri que inclui ainda Danny Elfman, Luca Guadagnino, Arnaud Desplechin, Guillermo Arriaga.
Do Chile ao Japão Outra das novidades desta edição do festival é a abertura ao cinema latino-americano. Uma decisão que Marc Muller justificou com a tentantiva de "rejuvenescer a mostra". Aqui, o destaque vai para o realizador chileno Pablo Larraín, que concorre na competição oficial com "Post Mortem", uma história de amor vivida em 1973, ano do golpe militar do Chile.
Num edição dominada pela presença norte-americana, com a estreia de seis produções na mostra competitiva, o cinema asiático não deverá também passar despercebido. Do Japão chegam "13 Assassins" e "Noruwei no mori", enquanto a China se faz representar pela longa de Tsui Hark, "Detective Dee and the Mystery of Phantom Flame". Dos 83 filmes escolhidos para as quatro mostras oficiais, 79 terão estreia mundial em Veneza.
Apesar da baixa média de idades dos realizadores com filmes em competição, o evento não deixará de lado alguns dos nomes consagrados do cinema mundial (ver caixa). Um dos mais notados será certamente o português Manoel de Oliveira, que apresenta no festival "Painéis de São Vicente de Fora - Visão Poética", de 2009. A secção "Orizzonti" inclui ainda "A Espada e a Rosa", de João Nicolau, que chega a Veneza depois de ter visto duas curtas seleccionadas para a Quinzena de Cannes.
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